terça-feira, 22 de setembro de 2015

Fransérgio Araújo


Ator e diretor. No cinema, em 2000, atua no filme “Através da Janela”, de Tata Amaral.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Uma história convincente com um fundo de mensagem subentendida, que critique a vida que levamos e nos transporte pra uma outra realidade.  Como diria Truffaut: o prazer dos olhos.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Não fiz muitos curtas, fiz agora um curta com Pedro Severein e fui muito bom. Essa curta é muito importante pra mim porque perdi meu pai enquanto filmava. Mais houve uma época quando trabalhei no Teatro Oficina que era muito chamado, mais comecei a me entediar porque muitos estudantes fazem muitas porcarias de curta. Considero uma linguagem difícil.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que é por ter uma linguagem que se aproximaria do clip. (risos). Na verdade sinto que é porque o retorno pra mídia é mais rápido, mais barato e eficaz. Vide o sucesso do Festival do Minuto.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
No inicio das novelas, aconteceriam um boom e muitas pessoas poderiam filmar e ter ideias novas também. Teve uma ocasião que exibi um pequeno documentário com as imagens do Gláuber Rocha. Em festas e em grandes telões também poderia ser bem legal.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Pelo contrário exige mais conhecimento de cinema, o Pedro Severien, por exemplo, o diretor do curta-metragem que filmei novembro do ano passado no Recife, Pedro tem um conhecimento grande de cinema e é fã de filmes de vampiros e no curta que filmamos o "Loja de Répteis" eu sentia muita certeza na sua direção porque ele entendia a força de uma imagem. E isso não é liberdade é aprisionar conhecimento e saber usá-lo, e aí sim filmando um curta-metragem, você pode sim, revolucionar. Só a liberdade pela liberdade fabrica muitas imagens merdas, veja o que muitos publicitários fazem em TV.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Com certeza. Ir chegando aos poucos num longa-metragem, acredito ser o que todo individuo artista de cinema merece percorrer. 

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Sinto que hoje existe uma mistura muito confusa pra mim, a "imagem" está espalhada em todo contexto da vida, em celulares em tablets, Youtube, pirataria, TV aberta, TV fechada, hologramas até, enfim, você precisa ser muito original pra vencer neste mercado muitas vezes extremamente fútil, mais isso também tem a ver com a imagem. Ou seja sinto ser um trabalho bem difícil, exige sensibilidade do interessado.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Gostaria sim se tiver esta oportunidade até porque sou filho de fotógrafo, e aprendi a enquadrar uma imagem, sincronizar, ver a luz, tudo isso me emociona. E até tenho algumas ideias.

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