quinta-feira, 17 de novembro de 2011

João Paulo Miranda



João é cineasta e curador do Festival de Cinema de Rio Claro.

Conte sobre o FIIK. Qual o seu conceito e a sua história?
A ideia surgiu através do prêmio internacional da CNN, que o grupo Kino-Olho ganhou. Assim outros realizadores independentes de diferentes partes do planeta entraram em contato conosco, surgindo o interesse de se unir por uma maior distribuição, exibição e divulgação. Assim nasceu o FIIK ( Festival Internacional de Cinema Independente Kino-Olho) para suprir uma necessidade e ainda estamos no começo, este ano é a terceira edição.

Você é um dos responsáveis pelo Kino-Olho. Como analisa a produção de curtas na região?
Está cada vez maior e mais diversificado. Vários estilos estão surgindo tanto na região como na própria cidade de Rio Claro após o Kino-Olho. Sempre estimulamos e nos unimos no interesse de coproduzir junto a outros grupos e realizadores independentes na região. Especificamente o nosso cinema, o chamamos de "Cinema Caipira", por ter um viés para o cotidiano do interior paulista, mas sem cair em clichês do caipira. A nossa matéria prima de produção e inspiração está ao nosso redor em cada rua e em cada esquina. Assim surge nossos filmes...

Quais as dificuldades e as vantagens de estar situado no interior de São Paulo e produzir cinema?
A vantagem é a liberdade de expressão, podendo produzir numa própria metodologia, sem precisar respeitar a mesma forma de produção nos grandes polos, pois estas produções têm suas burocracias e altos custos. Aqui a produção tem custo menor pelo forte interesse de se apropriar das condições que a própria realidade nos apresenta, sem manipular demasiadamente. Agora a desvantagem é a questão da visibilidade, mas que aos poucos através de festivais estamos cada vez mais conhecidos.

Como surgiu a revista do Cinema Caipira, ela é um contraponto das publicações especializadas no assunto?
A revista Cinema Caipira surgiu através dos debates e discussões estéticas que os integrantes do grupo têm a partir das reuniões semanais. Assim em 2008 nasceu a ideia. Num primeiro momento os artigos eram apenas escritos pelos integrantes do grupo, que mensalmente expressavam suas opiniões e análises através da escrita, compartilhando seus pensamentos. Porém a medida que a revista cresceu, novos adeptos e amigos surgiram, havendo agora a maioria da participação sendo de realizadores independentes, críticos e acadêmicos de todo Brasil e até já contamos com artigos estrangeiros. Diferentemente dos outros periódicos, o interesse da "Cinema Caipira" é cumprir um aprofundamento maior sobre cinema, nos afastando de alto teor publicitário e de "fofocas & curiosidades" do meio.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Por estarmos fora do grande eixo de produção, como Rio, São Paulo, Porto Alegre e Paulínia. Porém aos poucos produtores destes centros vêm nos conhecendo e já existem contatos de parceria e coproduções.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Para chegar ao grande público, o curta deve estar presente nos espaços de grande público, estando facilmente ao alcance e por se tratar de curta duração, os filmes podem ser assistidos rapidamente e por isso a possibilidade de estar presente em espaços físicos e virtuais de grande visibilidade da massa. Ai vale a criatividade de apresenta-los de forma inovadora e cativante.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Claro que sim, pois os curtas tem até uma maior forma de repercussão do que os longas, que pedem maior atenção e tempo. Hoje através do universo virtual da internet e dispositivos móveis, há novos meios de vincular conteúdos audiovisuais de curta duração. Aos poucos o preconceito sobre curtas se acaba, pois o público não é mais como de antigamente, que se reservava por horas para ver uma única obra. Agora todos lutam contra o tempo e sempre estão conectados a outros meios. Portanto, o interesse para o curta aumenta em contraposição aos longas.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Entre os cineastas não. Este preconceito está apenas no público conservador, que apenas vê como experiência cinematográfica entrar numa sala escura com tela grande e sentar por duas horas, agora há um novo público que procura a experiência cinematográfica em outros espaços e meios como a internet, televisão, celular e tablets.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já dirigi mais de 60 curtas e 4 longas independentes.

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