terça-feira, 15 de novembro de 2011

Jonílson Montalvão



Jonílson é diretor do Centro Cineclubista de São Paulo e também coordenador do Cineclube Lunetim Mágico.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
É a importância e a necessidade de criar, da estética, da vanguarda (nem todos os curtas são isso) mas em suma o curta tem menos burocracia e não está tão apegado ao mercado, então os realizadores ficam mais tranqüilos para criar.

Conte sobre as ações que o Centro Cineclubista de São Paulo realiza em torno do curta-metragem?
A divulgação (exibição) é umas das ferramentas mais fortes que temos para difundir esse tipo de filme

Quais as dores e as alegrias em manter um cineclube?
Dores pela parte burocrática de se manter uma entidade, no caso o centro cineclubista é uma ONG, então temos coisas para pagar (aluguel é um desses) e nem sempre temos grana. Alegria pela atividade em si, difundir e congregar, conhecer pessoas que, assim como você, também tem o cineclubismo como meio de vida, isso é prazeroso.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Da mídia em geral não digo, mas da grande mídia sim, aí não terão, assim como o cinema feito pela galera de coletivos (vide coletivo de vídeo popular, o próprio centro cineclubista) esse cinema mais "autônomo" existe e não precisa de mídia pra dizer que ele existe, basta ver as redes socias bombando de chamadas. Basta ver as pessoas se mobilizando e realizando seus filmes, o cineclube Lunetim Mágico (que eu ajudo a organizar) exibe em média 6 filmes por mês, há mais de 4 anos. E dificilmente repetimos filmes. Então por aí tem-se uma ideia da coisa, do montante desses filmes e a mídia (a grande mídia) ignora isso , então que se dane essa mídia.... temos que ter claro que não precisamos deles e ponto.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?
Atrair público é uma questão complicada, eu acho, porque você tem publico para esses filmes, há diversos tipos de exibição, precisa (?) ter publico mais ligado com a questão, publico por publico tem um monte de gente, existe festivais, mas só isso também não resolve, de repente colocar os curtas em salas de aula (o pessoal do coletivo ‘Nossa Tela’ fez isso) colocar curtas em TVs, (horário nobre de emissoras) já que a concessão é pública, fazer circular os filmes entre amigos...

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Sim é, mas acho que tem uma gana por fazer um longa, que deve ser sensacional fazer um longa, então fica esse desafio, mas é plenamente possível fazer só curtas e ser feliz.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não, acho que não.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já fiz alguns, nunca dirigi, quem sabe, na vida tudo é possível.

Quais são os projetos futuros do Centro Cineclubista?
Agregar mais pessoas, tirar ranços antigos da associação.

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