sábado, 12 de novembro de 2011

VAGA IDEIA



Xuxa e a ignorância

Criou-se um grande reboliço na imprensa nacional quando o The CineFamily, em Los Angeles, nos Estados Unidos, anunciou uma mostra de filmes da Xuxa.

Chamada de Xuxa-Palooza! (uma alusão ao festival musical Lollapalooza), Xuxa foi classificada de “linda atriz de filmes pornô-soft que se tornou apresentadora infantil e conquistou os adultos por três décadas por causa de sua alta tensão sexual”.

O texto fez a seguinte referência a apresentadora: “Em um mundo distante chamado Brasil, uma linda atriz pornô brasileira invade a televisão infantil... e permanece lá para sempre!”, diz o texto que apresenta o filme. Na descrição, é feito um retrato da brasileira como um ícone sexy do show bizz nacional. “Ostentando uma marca que combina atitude sensual e o universo das crianças, a apresentadora encanta tanto adolescentes como o público adulto masculino há três décadas.” E a história vai mais longe. Na tradução, o nome do filme, “Super Xuxa contra o Baixo Astral”, ficou como “Super Xuxa contra o Satanás”.

O longa, que segundo o site tem conotações sexuais, será apresentado em uma espécie de festa do pijama com dança, pintura de rostos, artesanatos e docinhos, assim como era o antigo programa da apresentadora, o Xou da Xuxa (TV Globo).

Pelo que vimos, é notória a falta de informação sobre o Brasil e principalmente sobre a filmografia da Xuxa. Pequena parte da imprensa internacional gosta de ridicularizar países como o Brasil.

Todo esse contexto de atriz pornô a acompanha desde o filme “Amor Estranho Amor” (de Walther Hugo Khouri) na qual a atriz principiante, no elenco com 16 anos na data da filmagem, tem relações sexuais com um garoto de 12 anos de idade. Logo depois disso, Xuxa é convidada para apresentar um programa infantil na TV Manchete e na sequencia parte para a maior emissora do país. Esse hiato – o filme foi produzido em 1979 e lançado em 1982 - dá pano pra manga até hoje.

Levados pela curiosidade, quando assistimos a “fatídica” cena, saímos “frustrados”. Não fosse uma criança seu parceiro, essa tão comentada fita poderia servir de enredo em qualquer novela das nove.

Xuxa contribuiu imensamente em despertar a cobiça pelo filme. Ao comprar os direitos e proibir sua exibição, fez um marketing às avessas. Hoje ele é uma lenda! Na filmografia de Vera Fischer, que estrelou o filme, esse título passa despercebido. Na da Xuxa não. É aquela velha história da pessoa que não gosta do apelido... em não gostando, o apelido pega.

No cinema, além dos dois filmes já citados, Xuxa estrelou “Lua de Cristal”, que levou mais de 5 milhões de pessoas ao cinema. De lá para cá, lançou um filme por ano, em comum, eles têm o fato de levarem o nome de Xuxa no título, serem um sucesso de bilheteria e apresentarem-na como heroína. A exceção ficou por conta de “Xuxa Gêmeas”, de 2006, onde a apresentadora interpretou sua primeira vilã.

Outro marco na carreira cinematográfica de Xuxa foi a parceria com o grupo Os Trapalhões, iniciada em 1983 com o filme O Trapalhão na Arca de Noé, assistido por mais de 2,5 milhões de pessoas e estrelado por Renato Aragão. Junto ao quarteto ela participou de outros filmes.

Seu último trabalho na sétima arte foi "Xuxa em: O Mistério de Feiurinha", inspirado em um livro do renomado autor infantojuvenil, Pedro Bandeira.

Xuxa possui uma das melhores médias de público desde a retomada do nosso cinema, comprovando que seu nome ainda atrai uma legião fiel aos cinemas. E aqui não cabe discutir a qualidade dos seus trabalhos no cinema, o que está em questão é que a apresentadora já fez mais de uma dezena de filmes e, ao seu modo, marcou história.
Para acabar com essa celeuma, seria interessante relançar e assumir esse filme como parte da sua filmografia, quem sabe assim a mídia sensacionalista e ranzinza parava de criar caso com uma história que não precisa ser mais noticiada. Só depende da Xuxa.

Rafael Spaca, radialista e autor do blog Os Curtos Filmes.

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