terça-feira, 4 de setembro de 2012

José Trassi


José Trassi é ator. Participou dos filmes ‘Os Inquilinos’ e ‘Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos’.
 
O que te faz aceitar participar de trabalhos em curta-metragem?
Aceito trabalhar em curtas-metragens como ator, ou realizador, quando o tema ou a forma , a linguagem, tem potencial para o ineditismo. Trabalho com curtas também, quando a história  necessita deste formato específico para ser contada da melhor maneira. A necessidade da comunicação através da síntese e da objetividade, tão importante nestes tempos hipermodernos, coloca o curta-metragem em posição privilegiada, e este fator é essencial para a minha participação neste tipo de trabalho, o momento histórico que vivemos, e as ferramentas que dispomos para  elaborarmos nossa realidade através da Arte.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que isto  acontece devido a formação cultural do povo e dos interesses da mídia do nosso país. O sistema de lucro que mantém o setor do entretenimento,  não vê vantagens econômicas neste formato, ainda. Então, nessas condições, o retorno que os curtas dão geralmente aos envolvidos é o prestígio social, que abre portas para projetos mais ousados, e a satisfação pessoal, que aumenta a autoestima e incentiva o próximo passo, que levará ao sempre tão almejado longa-metragem. Dinheiro somente através dos festivais ou editais,... Os críticos e a mídia, geralmente, procuram por fenômenos artísticos formatados no padrão popular de comunicação, e os curtas-metragens tendem a serem a plataforma para a criação de novos padrões de comunicação... Por isto, na minha opinião..esta área do cinema é incontrolável, pelo seu caráter independente talvez, e esta característica (incontrolável) se opõe aos objetivos a curto prazo da mas media,e muitas vezes desafia os críticos....

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Deveríamos abrir salas de exibições independentes, como se abre uma banca de jornal...esta é a minha utopia, hahahaha....

Acredito que primeiro é necessário ativar o interesse por este formato. Hoje em dia as produtoras de vídeo estão mais interessadas em financiar curtas pela credibilidade que o formato gera,também..... seria necessário que salas de cinema, ao meu ver, implantem o hábito de assistir curtas antes da projeção principal, por exemplo....por outro lado também,hoje, mantenedores de salas de cinema muitas vezes tem prejuízos mas não abrem mão das sessões de curtas-metragens!...não há solução pronta e definitiva, é necessário investigar profissionalmente este ponto para chegarmos a alguma ação efetiva neste sentido.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Sim, é possível! agora, se este caminho vai sustentar a vida cotidiana deste cineasta, isto é oooutra história, hahahaa... Realmente o objetivo de um curta, ao meu ver , é o longa. É  a possibilidade de verticalizar o olhar sobre o universo que foi criado no curta. Agora, se a linguagem deste universo pode ser  comunicada da melhor forma em 15 min... e se a formatação da idéia do cineasta for, na maioria das  vezes, compatível com o curta-metragem, sugiro que este siga pelo caminho dos  curtas, e faça destes seu sustento.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Vejo esta questão pelo lado dos "operários" do cinema no nosso país. O que tem apelo popular é mais valorizado pela indústria cinematográfica por gerar mais lucro. E não encontramos  taxas de informação relevantes nestes produtos. Os cineastas, que se vêem obrigados a criarem este tipo de produto para sobreviver nesta profissão. Geralmente buscam  inspiração e referências para a concepção destes "Blockbusters" nas  pesquisas de materiais alternativos, que trazem alta taxa de informação, e estes materiais muitas vezes são curtas-metragens, por isto acredito que por um lado nenhum cineasta prefere fazer um curta a um longa-metragem, mas sabe que nos curtas terá espaço criar ou encontrará uma experiência diferente, necessária para sua o caminho de sua obra.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, com certeza! Como disse, vejo nos curtas-metragens uma possibilidade de elaborar  temas e formas de linguagens relevantes para o momento que vivemos, através do cinema. E desejo que isto aconteça em breve!

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