terça-feira, 9 de abril de 2013

VAGA IDEIA


Cultura Entrelaçada
 
O audiovisual brasileiro, sobretudo as artes, desde sempre se aproveitaram do conhecimento de profissionais estrangeiros para fruir todo o repertório que essas pessoas, vindas de terras distantes, possuíam.
 
Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Diaz, o Oscarito, nasceu em Málaga, na Espanha. Foi no Brasil que deu a sua contribuição para a nossa história cinematográfica, humoristica. É de Oscarito clássicos como ‘Nem Sansão Nem Dailila’ e ‘Barnabé, tu és meu’, para citar apenas dois filmes da sua extensa filmografia.
 
Assim como Oscarito, a saudosa atriz Henriqueta Brieba também veio da Espanha. Participou de dezenas de filmes e marcou história com o seu trabalho, tanto no cinema quanto no teatro. ‘O Enterro da Cafetina’, ‘Ascensão e Queda de um Paquera’ e ‘Toda Nudez Será Castigada’ são alguns trabalhos que a atriz realizou.
 
Ator e diretor de teatro, cinema e televisão, o polonês Ziembinski é considerado um dos fundadores do moderno teatro brasileiro por sua encenação inovadora do texto ‘Vestido de Noiva’, em 1943 do dramaturgo Nelson Rodrigues. Assim como Franco Zampari, italiano, produtor, fundador e diretor administrativo do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), a companhia estável de maior projeção dos anos 1950, que solidificou os princípios do teatro moderno brasileiro. Zampari fundou também a Cia. Cinematográfica Vera Cruz.
 
A chegada ao Brasil do diretor italiano Adolfo Celi foi ideia de Zampari que constatou que o regime amador no teatro e nas artes no sentido mais amplo não teria futuro. Na Companhia Vera Cruz, Celi filmou ‘Caiçara’ e ‘Tico-Tico no Fubá’, ambos na década de 1950, e dois sucessos de bilheteria e de crítica.
 
Paulo Autran e Tônia Carreiro sempre se referiam a Celi como um mestre.
 
Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Guarnieri, italiano, nascido em Milão, foi dos principais atores, diretores e dramaturgos da nossa história, com destaque no Teatro de Arena de São Paulo, sua mais importante obra foi ‘Eles Não Usam Black-Tie’ peça de cunho sócio-político sucesso no teatro e também no cinema, dirigida por Leon Hirszman.
 
Ruggero Jacobbi, nasceu em Veneza. Diretor, teórico, cenógrafo e autor. Pertencente à geração de encenadores italianos que chegam ao Brasil nos anos 1950, liga-se a diversas experiências de renovação do panorama teatral, especialmente o Teatro Popular de Arte, e o Teatro Brasileiro de Comédia. Um dos poucos homens de teatro a transitar com desenvoltura entre a prática e a teoria do teatro.
 
Outro profissional que deu grande contribuição ao fazer artístico foi o belga Maurice Vaneau. Diretor, cenógrafo e figurinista, foi um dos diretores do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) nos anos 1950, estabilizando uma carreira no Brasil nos anos subsequentes. O espetáculo ‘A Casa de Chá do Luar de Agosto’ é um dos grandes trabalhos que realizou por aqui.
 
O italiano Gianni Ratto era também diretor, mas seu trabalho como cenógrafo lhe dá mais relevo, foi um dos  responsáveis pela evolução da cena brasileira nos anos 1950, o que mais contribui entre todos, realizando uma série de encenações históricas, radicando-se no país e permanecendo entre nós até o fim da vida.
 
Hans Donner, designer austríaco nascido na Alemanha e naturalizado brasileiro. Seu trabalho mais conhecido é a criação do logotipo da Rede Globo de Televisão, mas é responsável também pelas vinhetas e peças de abertura de muitos dos programas da Rede Globo. Exemplos de seu trabalho são as aberturas dos programas Viva o Gordo, Jornal Nacional, Fantástico, entre outros.
 
Voltando ao cinema, não podemos nos esquecer de Héctor Eduardo Babenco, argentino nascido em Mar del Plata. Babenco é um dos principais cineastas da atualidade, citemos: ‘O Rei da Noite’; ‘Lúcio Flávio, o passageiro da agonia’; ‘O Beijo da Mulher-Aranha’ e ‘Carandiru’ são alguns trabalhos por ele realizados.
 
O que observo é que isto está se perdendo ao longo dos anos. São poucos os profissionais estrangeiros que estão recebendo oportunidades de se fixar aqui e aumentar ainda mais a nossa capacidade de produção.
 
Walter Salles convidou Gael Garcia Bernal para trabalhar em ‘Diários de Motocicleta’, Fernando Meirelles filmou ‘Ensaio sobre a Cegueira’, convidando Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover e o próprio Gael. As filmagens foram em São Paulo, rodaram o filme e se foram. E o que ficou?
 
Não seria a hora de convidar Ricardo Darín para trabalhar conosco? E Penélope Cruz
 
Rafael Spaca, radialista, autor do blog Os Curtos Filmes (http://oscurtosfilmes.blogspot.com/).

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