quinta-feira, 25 de abril de 2013

Vladimir Capella

Vladimir Capella cursou a Fundação das Artes em São Caetano do Sul. É dramaturgo, diretor e músico, tendo seus textos destinados ao público infanto-juvenil. Estreou como diretor no espetáculo "Panos e Lendas", em 1978, pelo qual ganhou os prêmios Mambembe, Governador do Estado de São Paulo e Molière. Em 1985, com o espetáculo "Avoar", recebeu o Prêmio Apetesp, nas categorias Autor, Espetáculo, Diretor e Música ou Trilha Sonora. No ano seguinte, com a peça "Antes de Ir ao Baile", novamente foi premiado com pela Apetesp, nas categorias Autor, Espetáculo e Diretor.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Nunca participei de curtas.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
É um pouco como o teatro feito para crianças e o teatro adulto. O mundo capitalista tem algumas regras que eu nunca vou entender. Curtas não vendem. No fundo, acho que é simplesmente isso. Assim como o teatro para crianças não interessa ao mundo dos adultos que estão preocupados com as grandes questões. Como se o teatro jovem  e os curtas não tratassem de grandes questões também.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Sei lá.  Mas ao invés de trailers e propagandas no inicio das sessões dos longas deveria ser obrigatório passar um curta. Não é uma ideia boa?  Mas, na pratica isso não emplaca. Não tem retorno.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Mais uma vez a comparação cabe aqui.  Os atores e diretores de teatro começam suas carreiras no teatro chamado infantil esperando a vez de fazerem teatro adulto. Agora até já mudou. Todos querem mesmo é fazer a televisão. Mas acho perfeitamente possível sim um cineasta se especializar em curtas metragens. Acho até uma ideia bacana, mas não vão conseguir sobreviver. O curta não é um cinema menor.  É uma forma de expressão.  E pode ser tão artístico quando um longa.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que sim.  É uma espécie de preconceito já arraigado, nem percebem, creio. Mas queixar-se não resolve. Tem que botar a mão na massa e fazer melhores curtas (que também, me parece,  carecem de qualidade) e tentar dessa maneira despertar a atenção para essa especificidade de arte que é o curta-metragem. Tarefa árdua com certeza. Mas...
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Adoro cinema. Vejo muito mais cinema do que teatro. Mas acho que já é tarde pra começar uma carreira nessa área.  São anos pra se conseguir espaço. Faria com muito prazer tanto curta quanto longa.  Aliás, tenho dois roteiros para filmes curtos e um para longa que dormem um sono profundo na gaveta da minha mesa de trabalho.

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