terça-feira, 30 de agosto de 2011

Kity Feo



Assistente de direção. Seus últimos trabalhos foram com José Eduardo Belmonte, em ‘Billi Pig’,‘O Palhaço’, do Selton Mello e ‘Corda Bamba’ do Ugo Giorgetti. 

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro? 
Qualquer história precisa de um bom contador de histórias, para que esta seja ouvida. No caso do cinema, a história é estabelecida por um roteiro, e o contador de histórias está na figura do diretor. Se você tem um bom roteiro, e um astuto contador de histórias, você tem um bom filme. Matemática pura. 

O cinema brasileiro tem ótimos contadores de histórias. E não necessariamente, os que sabem brincar com os contos, são os que sabem brincar com os romances. 

O formato de curta-metragem no cinema nacional tem sido muito usado para experimentar e aperfeiçoar a linguagem por ser mais barato, e conseqüentemente estas experiências, tem servido de exercício e preparação para um longa. Mas, eu particularmente, acredito que o curta se sustente sozinho. É um formato simpático, que deveria ser mais aproveitado para os que sabem contar curtas histórias. 

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral? 
Os curtas-metragens recebem alguma atenção da mídia, quando estão em festivais. E bastante atenção, quando ganham algum prêmio. Por este motivo, os curtas acabam tendo como o objetivo supremo ir para festivais, que é onde eles mais conseguem ser projetados. Existem filmes, como o premiado "Ilha das Flores", do Jorge Furtado, que roda o mundo há anos. Tem vida própria de tão conhecido. 

Acredito, que se os curtas-metragistas assumissem que o que fazem não é um caminho para se fazer um longa, dariam mais crédito e sentido ao seu próprio trabalho. E conseqüentemente seriam mais respeitados. 

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público? 
Assim como um dia, conseguiu espaço e respeito suado nas últimas décadas, o longa-metragem teve leis que o defendiam na exibição, acredito que uma boa maneira de sustentar o curta, é fazer o mesmo. 

Vejo futuro para o curta. Com a chegada do cinema digital, o processo ficou muito mais acessível, provocando nas pessoas uma vontade de contar suas histórias, que somada a força da internet, fica mais fácil de mostrar ao mundo seu pequeno conto. Acho difícil uma pessoa sair de casa para assistir um curta. Demora mais tempo para a pessoa chegar no cinema, do que o tempo que ela fica sentada na poltrona. Então, ou ele cria um vínculo com seus irmãos maiores, ou continuará sendo o rei dos festivais e ponto. 

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa... 
Sem dúvida. Como disse antes, assim como bons contistas não necessariamente são bons romancistas, seguramente você pode ser bom em contar curtas histórias, e não ter tanta habilidade de contar as longas. 

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas? 
Marginalizado não. Mas, é como um irmão caçula que ainda não conseguiu o seu espaço, e ainda precisa do seu irmão mais velho, para os outros ouvirem. Mas, um dia o caçula cresce. 

Pensa em dirigir um curta futuramente? 
Penso que como Primeira Assistente de Direção tenho muito trabalho pela frente. E não uso este posto, para pensar em dirigir. Enquanto estiver exercendo este cargo, farei o meu melhor, respeitando essa profissão, para acreditarem cada vez mais na importância dessa função.  Sim, Rafael, eu penso em dirigir. :-) Mas, aqui onde estou, não estou de passagem. Entenderam curtas-metragistas?!

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