quarta-feira, 11 de abril de 2012

Danilo Gullane

Danilo é roteirista, produtor cultural e curador. No curta ‘Perdemos de 1 a 1’, de Patrícia Moran, foi o diretor de produção. É irmão de Caio e Fabiano Gullane, da ‘Gullane Filmes’, uma das maiores produtoras de cinema do país.


Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Há quem diga que o curta-metragem é um exercício para cineastas em início de carreira preparando-se para fazer um longa-metragem. Acho que o curta-metragem, antes de ser considerado como um "exercício" é um formato cinematográfico onde se desenvolve narrativas breves. E isso me interessa muito. Assim como o romance está para o longa-metragem, o conto está para o curta-metragem. Em todo caso, a realização de curtas-metragens no Brasil, em sua maioria financiado por editais públicos, é responsável pela formação de muitos cineastas. A primeira vez que pisei num set de filmagem foi fazendo parte da equipe de produção do primeiro curta da cineasta Laís Bodanzky, "Cartão Vermelho". Como os recursos para a realização de um filme de curta-metragem são geralmente escassos e raramente se tem produtores experientes para dar suporte ao projeto, o desafio de filmar se torna ainda maior, o que faz com que os diretores e equipe técnica planejem tudo minuciosamente tentando evitar o "erro". Assim, acho que o curta tem um papel fundamental para formar bons cineastas.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?

Muito pelo fato do curta ainda não ser encarado como um "produto" audiovisual, algo sem valor comercial. Muitas vezes o curta é visto como uma experiência cinematográfica menor, algo que beira o amadorismo, feito por jovens cineastas idealistas que tem uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. O único espaço para esse tipo de realização são os festivais, que são frequentados por pequenos grupos formados por pessoas que estão envolvidas de alguma forma com a atividade cinematográfica, e não pelo grande público que consome cinema e alimenta o mercado de alguma forma (se é que isso de fato existe no Brasil).

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?

Não sei. Uma possibilidade seria exibi-los antes dos longas nos cinemas. Mas aí já temos 15 minutos de comerciais e traillers, depois mais ou menos 100 minutos de filme, será que caberia mais 15 minutos de um curta? Provavelmente a sessão ficaria muito longa e cansativa para o expectador. Também não sei se as pessoas pagariam para ir ao cinema assistir um curta. Provavelmente não. Por isso, uma forma de aumentar o público de curtas seria aumentar o número de festivais e mostras pelo pais destinadas a divulgação deste formato. Ou então levá-los para a TV. Realmente não sei!

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É possível desde que você não espere pagar as suas contas com isso. Curta não tem nenhum tipo de retorno financeiro, raramente recebe investimentos privados. É um mercado pobre.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que não. Todo mundo que faz cinema já participou de um curta. É a porta de entrada, geralmente onde as pessoas tomam gosto pela coisa e descobrem com é duro fazer cinema num pais como o Brasil.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso sim. Tenho um projeto muito legal. A adaptação de um conto fantástico de um escritor uruguaio chamado Horácio Quiroga.

Qual é o seu próximo projeto?
Tenho feito muitos trabalhos para a TV. O artigo terceiro tem nos proporcionado isso.

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