quarta-feira, 4 de abril de 2012

VAGA IDEIA

A novela no cinema da Globo Filmes


Ninguém pode negar a importância que a telenovela têm na nossa cultura. Responsável por lançar talentos, gerar empregos e dar a oportunidade para uma ampla plateia assistir nomes como Fernanda Montenegro, Walmor Chagas, Lima Duarte e Marilia Pera ,interpretando com refinamento, seus respectivos papéis na televisão. Sem dúvida, é o meio mais democrático de se deparar com atores de renome em ação.

O teatro e o cinema não estão em todos os lugares e o acesso a esses equipamentos não é tão fácil. Custa caro para a maioria da população.

Ao longo desta história vimos sopros de genialidade em novelas épicas como ‘Vale Tudo’; ‘O Bem Amado’, ‘Escrava Isaura’, ‘Tieta’, entre outras.

Cada mídia tem o seu formato e característica própria. A apropriação de elementos é válida, um pode se alimentar e abastecer do outro, mas a “espinha dorsal” precisa ser preservada.

O que a Globo Filmes têm feito no cinema brasileiro é de se lamentar. Não falo de transições de novelas de sucesso para o cinema, como ‘O Bem Amado’. Essa é uma outra história.

Falo de filmes que são lançados e vendidos como filmes, mas na verdade são novelas com noventa minutos de duração. ‘Se eu Fosse Você 1 e 2’, Qualquer Gato Vira-Lata tem uma Vida Sexual mais Sadia que a Nossa’ , ‘Casamento de Romeu & Julieta’, ‘Divã’, e por aí vai...

São filmes feitos por pessoas da televisão, das novelas (nada contra, mas levam seus “vícios” para a sétima arte). Os diretores, os atores, produtores, roteiristas, quase toda a equipe envolvida numa produção da Globo Filmes é oriunda da televisão. Até a curva dramática dos filmes é da telenovela. E por que isso? Porque o que eles querem é levar o público das novelas para o cinema.

A medida merece meio aplauso. Convencer a pessoa a sair de casa e assistir um filme no cinema é sensacional, mas ao chegar na sala de cinema o que essa pessoa vê não é cinema. Assim, você acaba não formando público para o cinema, forma-se público só para os (tele)filmes que eles produzem.

A maioria dos filmes que a Globo Filmes produz têm uma clara referência ao modelo água com açúcar americano. Grande parte desta produção é descartável, como as músicas da moda (funk, pagode, entre outras tralhas), que vem e vão sem deixar saudade. Vendem milhares de discos, mas não ficam na história.

Os filmes, não são todos, que a Globo Filmes produz vão para o mesmo caminho: a vala do esquecimento.

Rafael Spaca, radialista, autor do blog Os Curtos Filmes (http://oscurtosfilmes.blogspot.com/)

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