sábado, 23 de março de 2013

Ivo Müller

Ivo Müller com Mayana Neiva no curta "O Tempo que Leva" (em finalização). Foto de Lucas Barros.
 
Ivo Müller é ator, tradutor, produtor e dramaturgo. ‘Tabu’, longa-metragem de Miguel Gomes (Portugal/Brasil/França/Alemanha) e o curta ‘Dicionário’, de Ricardo Weshenfelder são alguns dos trabalhos que ele realizou no cinema.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Um roteiro que surpreenda já na primeira leitura, uma boa proposta de produção e direção. Acredito no trabalho coletivo.
 
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Comecei fazendo curtas, antes de decidir ser ator profissional, antes de fazer teatro. Fiquei um tempo me dedicando ao teatro e nos dois últimos anos tive a chance de voltar a fazer curtas. Posso falar dos dois últimos: o "Dicionário", do Ricardo Weschenfelder e "O Tempo que leva", da Cíntia Domit Bitar. O primeiro, baseado num conto do poeta Lindolf Bell, feito em P&B, com uma pegada de realismo fantástico, ousado. O segundo ainda não ficou pronto, é uma história de personagens no seu limite, uma visão delicada de uma diretora muito talentosa.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Por uma questão de mercado. O curta que vai para os festivais tem um pequeno espaço, mesmo assim, a mídia segue o mercado. Aliás, cultura em geral tem pouco espaço e nossos jornais e revistas.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Antes dos longas, seria o ideal, na tela grande, no lugar daqueles comerciais...
 
A internet abriu um grande espaço para os curtas, você pode ver muita coisa, fimes do mundo todo, premiados em Cannes, Berlim...
 
O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
O curta pode ser um lugar de aprimoramento, lugar pra burilar técnicas. Mas essa liberdade deve estar presente em todo trabalho artístico, inclusive nos longas. O Kleber Mendonça Filho, por exemplo, fez seu primeiro longa, "O Som ao Redor", com muita coisa já experimentada em curtas. Mas o longa é tão bom, porque continua com o frescor, a ousadia e a liberdade que ele teve nos curtas.
 
O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Qualquer profissional (diretor, fotógrafo, ator) que se destaca em um curta pode ser chamado para fazer um longa. Mas trampolim dá a impressão de coisa que acontece muito rápido. O mundo das celebridades gosta de coisas que acontecem de uma hora para a outra. O artista tem seu tempo, que pode ser mais rápido, mais lento.
 
Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Acho que não existe receita, cada um é que cria seu caminho. Acredito em trabalho, dedicação, loucura e paixão.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Tenho dois argumentos escritos, quero dirigir essas histórias um dia.

Nenhum comentário: