terça-feira, 8 de abril de 2014

Evas Carretero

 
Ator. Em cartaz com o espetáculo ‘Ricardo III’, que ilustra essa foto. Atuou também no videoclipe da banda ‘Thiago e os Quase Quinze’ no concurso de novos talentos do Festival Clipes e Bandas.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Ainda é recente a virada que o cinema brasileiro conseguiu no sentido de qualidade artística e repercussão. Filmes como Cidade de Deus (direção Fernando Meireles patrocínio Petrobras), Tropa de Elite (direção Padilha com Wagner Moura e uma Petrobras por trás), grandes produções que deram certo, se colocam em um mercado de longas-metragens, mercado esse que já existe, é um conjunto de ingredientes que faz dar certo. Bons diretores, atores de prestigio, e patrocínio, isso interessa a mídia. A cena de curtas-metragens não existe de forma fervorosa, existe de maneira alternativa. Eu já assisti muito curta-metragem com bons atores, diretores, fotógrafos, filmes de qualidade artística mesmo. Mas no Brasil, o que interessa é o prestigio, o glamour, a fama. Por tanto eu acredito que a primeira barreira é que a cena de curta metragem não existe. A outra é que mais atores de prestigio tinham que se interessar por essa vertente do cinema, para atrair o investimento das empresas, só aí a mídia vai se interessar.    
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acredito que a internet é um veiculo poderoso para isso, mesmo porque o que da certo na net são informações rápidas, um longa-metragem jamais daria certo na internet. A criação de festivais e mostras, sejam elas independentes ou não, ajuda a popularizar. Em Paranapiacaba existe o Curta Neblina que é o festival Latino Americano, é muito legal. Mas acho que tinha que ter um em cada cidade da região do ABC, um grande em São Paulo. Acho que os Centros Culturais públicos deviam ter programação mensal. Outra ideia é que em vez de trailers no cinema, podia ser exibido um curta antes dos filmes exibidos nos grandes cinemas. Se existir a oferta vai haver procura.
 
O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim. Simplesmente porque é menor, ou seja, o investimento é menor, o tempo que se leva pra fazer é menor, enfim... É uma ótima oportunidade para experimentar.
 
O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Na minha opinião o termo trampolim é forte demais. Fazer curta metragem é muito bom, para entender como produz, para entender câmera, pra entender como funciona. Mas, fazer curta metragem não te garante que seu primeiro longa será bem sucedido. A dimensão é muito diferente. Eu recomendaria para um diretor de curta metragem fazer uma assistência de direção no longa, para o produtor do curta, fazer assistência de produção e assim respectivamente para todas as áreas. A experiência em curta metragem fará o profissional ser um excelente assistente para um longa. Aí sim, depois de fazer o curta-metragem e de trabalhar como assistente ou um cargo que não tenha tanta responsabilidade, mas que dê experiência e a visão de como se faz, o trampolim para fazer um longa estará a postos. 
 
Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Investimento, uma boa ideia, uma boa distribuidora, uma equipe de criação e artística muito talentosa e o apoio da mídia.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não. Eu sou ator. Gosto mesmo é de estar na frente da câmera. O negocio é dar tempo ao tempo nunca se sabe, não é?

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