sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cassia Bianco


Cassia é formada em cinema, realizou curtas como produtora, diretora e assistente, fez assistência de direção para especiais e séries de TV. Hoje está abrindo sua própria produtora, a Wahine films, em São Paulo, cujo foco é trabalhar com conteúdo audiovisual de curta duração para cinema, TV, internet e plataforma móvel.


O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Um bom roteiro e uma boa equipe. Se houver harmonia no set isso se reflete na tela. É importante que cada artista e cada técnico seja livre para criar em sua área. O cinema é celular, todo mundo tem que realizar com maestria nada mais do que a sua função. A missão do diretor é orquestrar esses talentos ao seu olhar.

Você sente alguma diferença de satisfação profissional entre fazer cinema, teatro e TV?

No teatro você aprende, na TV você pratica mas é no cinema que está a maior satisfação. É o grande sonho. É o cinema que leva sua arte aos mais diversos cantos do mundo, ele é universal.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?

Porque as pessoas não pensam o curta como curta. Pensam como um longa reduzido ou como uma peça humorística que obrigatoriamente tem que ter uma sacada ou piada no final. Pensam nele como o complemento de algo. Mas o curta tem vida própria, estética própria então precisa de critica própria.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?

Acho que é preciso uma união na classe dos curtametragistas para já produzirem algo pensando na exibição. Criar sessões temáticas para atrair publico. Sessões que possam ser distribuídas como um longa é.

A coisa mais importante na exibição de curtas em salas de cinema é a combinação dos filmes que compõem a sessão. A boa curadoria nesse caso, é responsável por criar uma experiência totalmente original. Creio que temáticas tribais, histórias curtas em série, homenagens a movimentos artísticos, mini documentários urbanos, autores regionais, personagens que se repetem, são alguns dos vários artifícios podem ser usados para fisgar o publico e criar um fluxo na sessão, afinal, o modo como o curta-metragem é degustado tem muito mais influência da arte seqüencial do que do longa metragem.


Considera o curta-metragem um trampolim para fazer um longa?

Tem sido assim para muitos cineastas. Mas muitos tem voltado a fazer curtas também. O curta é uma oportunidade de experimentar sem medo, de viver a experiência do cinema puro, de ousar. Por outro lado também serve para fazer vídeo manifestos, misturar linguagens e cometer erros que te levam a ser um melhor profissional no futuro.

Dá para o cinema nacional sobreviver sem subsídios?

Não por enquanto. Penso que a dependência de subsídios é proporcional á carência de publico. Enquanto o cinema nacional não tiver fôlego para engatar uma sequência de sucessos, o publico não se fixa. Nenhuma empresa quer investir sabendo que é muito difícil obter algum retorno. Portanto é um sonho que vem, em minúsculos passos, saindo do plano da imaginação. Hoje em dia existem modelos interessantes de financiamentos limpos, geridos pela internet ou ligados a inserção sutil ou mesmo útil de produtos dentro do filme, conhecido como, product placement, uma fina versão bom e velho merchandising, que pode hoje absorver uma boa fatia da verba de marketing de uma grande empresa. Mas para que esses investimentos sejam bons para os dois lados, ainda é indispensável que haja um bom circuito com uma garantia mínima de publico.

O que é necessário para vencer no cinema?

Trabalho, talento e persistência. O cinema é como um esporte de alta performance, é preciso ir aperfeiçoando o próprio estilo a todo o momento.

Pensa em dirigir um curta futuramente?

Sim. Se chama ‘Ninfo Maria’. É um roteiro que escrevi.

Qual é o seu próximo projeto?

São eles: O programa de TV Você Dirige. O curta documentário Espelho 30 e o curta Ninfo Maria. Além disso atualmente sou assistente de Neville d’Almeida em São Paulo, (por conta de uma mostra que está sendo realizada pelo SESC em sua homenagem). Acho que não existe melhor escola para uma jovem cineasta do que estar perto de um grande diretor. Sou uma apaixonada pela arte da direção.

Um comentário:

Julie Louzada disse...

A idéia de que o mercado de curtas deve ser autônomo de vida e critica própria é excelente e pertinente para a realidade nacional, fico feliz de ver artistas esclarecidos e engajados nesse caminho, olhando para a realização de curtas no Brasil com o mesmo empenho e a mesma seriedade que se leva um longa. Linda entrevista!!!