domingo, 8 de janeiro de 2012

Um breve relato das patologias e trapaças do cinema nacional

“Não fosse pela presence da ralé e dos ignorantes, dos amorfos esquisitos e incompletos, dos irracionais e absurdos, das infinitas configurações do girino humano, o horizonte não teria um sorriso tão largo” Frank Moore Colby, Imaginary Obligations.


Quase nada se sabe sobre a vida pregressa de Sady Baby. As datas de seu nascimento e morte, a lenda de sua loucura e de seu suicídio foram extraídas de algumas linhas do blog boteco sujo. Os seus contemporâneos nada falaram a seu respeito em toda a sua correspondência. Na maioria dos casos, não haveria suspeitas acerca da origem desse silêncio. Pelo menos é o que acontece com o leitor comum de jornais que recebe a mensagem misturada sem juízo crítico e pressupõe que esta reflete as suas próprias opiniões independentemente formadas. Em contrapartida, o sujeito pode reconhecer ou suspeitar da origem exterior das vozes que literalmente irrompem do seu cérebro.

O que há de concreto sobre Sady é que ele foi o autor de "Emoções sexuais de um jegue" sobre a natureza das coisas, um longa-metragem filosófico que tentava explicar o universo em termos científicos com ênfase contra a superstição e o medo do desconhecido das pessoas, enfim, uma exposição das suas doutrinas. Banido da sociedade, tem medo do conhecido, acredita no desconhecido, já não acredita, acredita outra vez. Assim sendo, sua filosofa é cuidar de si e isto é uma felicidade.
Desse longa extraiu-se as seguintes informações sobre Sady:

* temperamento ardente e apaixonado;

* gênio sombrio e pessimista;

* grande cultura científica e filosófica;

* materialista;

* anti-religioso;

* a sua moral é a do prazer, ou seja, gozar sem moderação para gozar por mais tempo, evitando a ambição ou qualquer outro sentimento que possa perturbar a sua serenidade.
Sobre o poema "Emoções sexuais de um jegue" pode-se dizer o seguinte:

* filosoficamente, pode ser considerado uma exposição da doutrina de Sady e de seus seguidores, caracterizada, na física, pelo atomismo, e na moral, pela identificação do bem soberano com o prazer, o qual, concretamente, há de ser encontrado na prática da virtude e na cultura da carne. 2. Sensualidade, luxúria 3.

* nos dois primeiros cantos instrui sobre a natureza das coisas;4 São espaços reais e virtuais que formam a sua realidade fantástica

* nos cantos três e quatro, trata da natureza do Homem;

* nos dois últimos cantos, fala do mundo exterior e dos fenômenos naturais;

* caráter didático;

* uso de digressões;

* Invocação aos deuses. Exemplo Vênus.

*práticas reais e efetivas

Ps. O bom texto não é escrito, é reescrito.

Nilson Primitivo é cineasta e colunista do blog Os Curtos Filmes.

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