quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cindy Mendes

Cindy Mendes: atriz, cantora e compositora. No cinema foi uma das quatro protagonistas do Filme “Antônia” da diretora Tata Amaral. Na televisão, novamente como uma das protagonistas, integrou a minissérie “Antônia” exibida pela Rede Globo.


O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Sou artista e meu proposito é fazer arte e vivenciá-la em todas as suas manifestações. Penso ser o curta metragem uma honesta e original manifestação artística. Honesta do ponto de vista em que, na maioria das vezes, o foco da produção de um curta está em fazer um bom trabalho, uma obra de arte. Não apenas pensando em bilheteria, nos mesmo atores famosos de sempre, num mesmo tema extremamente popular para atrair a atenção da mídia etc.

Você sente alguma diferença de satisfação profissional entre fazer cinema, teatro e TV?
Penso serem experiências diferentes e que todas têm muito a me oferecer no crescimento como atriz. Logo, me satisfaz atuar em todas as áreas das artes cênicas.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?

São vários os motivos. Menciono primeiro o que disse anteriormente quanto ao fato de que o curta metragem, muitas vezes, tenha maior compromisso com a manifestação artística e a arte em si. Isso pode levar a um distanciamento de certos gostos mais pop, que corresponde a um setor imenso da população, chamado “minoria” sendo “maioria”. Faz tempo que a grande mídia tem se dedicado a essa “minoria” majoritária, se aproximando do que ela gosta e se distanciando do que lhe é estranho. Essa falta de divulgação determina a falta de conhecimento do próprio público potencial do curta metragem quanto à sua existência. Em síntese: sem demanda, não há mídia. Mas, também, o formato dos programas de televisão, que não prevê eventos de duração mínima quanto à do curta.

Como deveria ser a exibição de curtas para atrair mais público?

Para começar as mostras e festivais poderiam ter maior divulgação. Mas, não terão se não houver um motivo especial, novo. Sem ele a mídia continuará na manutenção da forma como se tem comportado e que já mencionei anteriormente. Um motivo novo seria o uso de Leis de Incentivo Fiscal para atrair grandes marcas patrocinadoras dos curta metragens. Assim, essas próprias marcas passariam a criar novos espaços de divulgação. Um bom exemplo, seria se conseguir um espaço especial na tv aberta.

Considera o curta-metragem um trampolim para fazer um longa?

Sim. Como também o longa pode ser um trampolim para se fazer um bom curta. Porém, fazer um bom curta metragem é, sem duvida, uma tarefa bastante difícil, já que a idéia é um “mini filme” com começo, meio e fim. É essencial ser sintético, sem perder nada. Penso que seja mais fácil partir de um curta para um longa do que de um longa para curta. É uma ótima experiência, tanto para diretores e equipe, quanto para atores.

Dá para o cinema nacional sobreviver sem subsídios?

Sim, falta informação. Já falei de Leis de Incentivo Cultural que permitem barganha de imposto devido com projetos culturais. O atual modelo do Capitalismo: o Neoliberal não prevê mais a participação ativa do Estado em setores que ele entende como da iniciativa privada. Assim, é utopia pensar em subsídio do Estado à arte em qualquer setor ou forma.

O que é necessário para vencer no cinema?

Informação, não ter medo de trabalhar duro, talento e amor pelo que se faz.

Pensa em dirigir um curta futuramente?

Não. No futuro, talvez. E, quando penso em dirigir, é porque estaria numa posição mais protegida do que na de atriz na qual me encontro. Aliás, o ator é a parte mais frágil nessa história. Se estuda, se investe e, invariavelmente, se está condicionado ao teste, ao arbítrio de terceiros. Todos os demais profissionais do cinema têm posições profissionais mais garantidas. Por exemplo: um bom câmera man é requisitado pelo fato de ser um bom câmera man. Dificilmente fica sem trabalho. O bom ator, por não ter participado da última novela, pode perder o trabalho para outro de desempenho inferior que nela estava.

Qual é o seu próximo projeto?

Em breve estarei em cartaz no Teatro Frei Caneca, com um show de homenagem a Ella Fitzgerald. Obviamente, estarei usando meus atributos e conhecimentos de cantora, para interpretar, junto a meu quarteto de músicos na formação de piano, baixo, bateria e guitarra, temas de jazz do repertório desta grande diva do jazz. A direção e produção é do diretor e ator Sebah Vieira.

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