sábado, 29 de junho de 2013

Karla Sabah

Atriz, cantora e diretora. Ex-integrante do grupo "Afrodite se quiser". Karla Sabah já dirigiu curta-metragens, videoclipes e DVDs para artistas da gravadora Indie, entre eles Alceu Valença, Jorge Aragão e Luiz Melodia.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu não aceito participar, geralmente eu produzo meus próprios curtas. É uma viagem muito pessoal para quem dirige, edita e/ou roteiriza. No caso de vídeo clipes, filmados em 16mm e telecinados é diferente, tanto no aspecto contratual como o produto final.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Sinceramente eu não sei responder a essa pergunta. Eu adoro todo o tipo de curtas e fiquei muito irritada quando pararam de passá-los antes dos filmes principais nas salas de exibição. Eu gostava muito e me preparava para a surpresa da sessão, "que curta seria?". Inclusive porque não eram divulgados mesmo. Talvez por serem muitos e/ou não estarem disponíveis na hora da impressão do jornal, ou serem de nível considerado "inferior" pelos padrões vigentes. Acho que as pessoas estão muito imediatistas hoje em dia e não querem "perder tempo com baboseiras". Eu via, e continuo vendo, muitos curtas legais. Aprendo muito com eles. Já participei da Mostra do Filme Livre, do Festival de Filme Universitário, de duas mostras de vídeo em Gramado... Curtas existem, festivais também, e tem muita gente os fazendo, não sei porque não falam deles.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Poderiam voltar com a lei que obrigava a exibição de curtas antes das sessões de filmes estrangeiros... ou criar um programa numa TV aberta de grande audiência, que falasse sobre a existência deles e os exibisse com ou sem legendas. Existe publicidade de lançamento de produtos de até 1min e meio de duração, ou programas de humor de meia hora com intervalos comercias, que todo mundo gosta e poderiam ser curtas. Os filmes de animação, por exemplo, tão em moda hoje em dia, são curtos.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Sim, por que não? Depende da vontade, da ideia, do tema, do roteiro. Acho que é uma questão de escolha. Normalmente todo cineasta começa com o curta como aprendizagem, testando ideias... Se bem que, atualmente, vários cineastas começam mesmo é com longas, logo de cara, e se profissionalizam rápido sem usarem curtas como trampolim.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Talvez por conta do custo de uma produção cinematográfica que é tão grande que seja preferível fazer logo um longa, não por preconceito. Na maioria das vezes curtas são produções com pouquíssima ou quase nenhuma verba. Para mim filme é filme, não importa o tamanho e sim o prazer que proporciona, rsrsrs.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não, atualmente minha meta é o filme documentário de longa metragem ‘Luiz Melodia, O Negro Gato’, em fase de captação de recursos, finalmente aprovado nas leis de incentivo fiscal, federal, estadual e municipal, que há 11 anos venho tentando realizar. Por causa dele, vários curtas como "Segura Na Mão De Deus E Vai", "Muvuca No Estácio", "Mal Secreto", entre outros que são trechos do filme, foram editados e esperam uma chance para se consolidarem.

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