terça-feira, 11 de junho de 2013

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica

O QUE DISSERAM DE R.F.LUCCHETTI

Rubens Francisco Lucchetti, um brasileiro que escreve ótimos contos policiais.

Policial em Revista, nº 167. Rio de Janeiro, abril de 1948
Rubens Francisco Lucchetti (...) é moço conta com 17 anos de idade (...). Esforçado, estudioso, pode ser muito comparado com um escafandrista que vive nas regiões abissais deste duro realismo, donde, de quando em quando, surge com uma de suas preciosidades literárias para apresentar aos amigos e admiradores, pelas colunas de jornais e revistas. Ao compará-lo com um escafandrista eu quero referir-me às suas condições de vida que o irritam e revoltam, ansioso para viver no mundo das ideias, livre das garras da realidade.

Washington Rodrigues de Oliveira. (Autor do livro: ‘Uma Revolução em Marcha’, em que contesta a Teoria da Relatividade de Einstein). Diário da Manhã, Ribeirão Preto, 24 de agosto de 1948.
Muito moço ainda, Rubens Francisco Lucchetti tem escrito para este jornal artigos que chamam a atenção geral e agradam bastante, não só devido ao fato de serem escritos corretamente, literalmente falando, como também, porque encerram assuntos importantes e raramente abordados. Em São Paulo, revista especializada publica contos de sua autoria, que, aliás, ótimo desenhista, faz as ilustrações desses seus trabalhos. Estudioso, inteligente e dedicado às letras, Rubens Francisco Lucchetti tem à sua frente, como intelectual, esplêndido futuro.

Diário da Manhã. Ribeirão Preto, 2 de fevereiro de 1949.
(...)Rubens Francisco Lucchetti, nosso colaborador de S.Paulo, segue as pegadas dos clássicos, dando-nos uma viva impressão do meio em que se desenrola o tema. Até mesmo os nomes dos personagens contribuem para tanto, bem como o método adotado na confecção do trabalho. Rubens promete, sem dúvida.

Policial em Revista nº 184. Rio de Janeiro, setembro de 1949.
Muito apreciamos seus trabalhos de critica literária, que revelam um espirito agudo e observador.

Raimundo de Souza Dantas (Escritor). Policial em Revista nº 189. Rio de Janeiro.
O moço Rubens transforma os seus lazeres em momentos de beleza duradora e está sempre fazendo o seu caminho atravessado de motivos rebustecedores do seu espirito inquieto, e que projetam luz, e alarguem, pelos clarões, a sua visão das coisas.

J.Guimarães França (jornalista e radialista). Suplemento Especial do Diário de Noticias. Ribeirão Preto, março de 1960. O autor refere-se à “Semana Chapliniana”.
Vocês verão, caros leitores, como possuímos também a nossa literatura policial e tão boa quanto às outras. Recomendamos principalmente o contato “A Biblioteca” em que se note no autor alguma semelhança com Edgar Allan Poe. Nota-se que, sem dúvida Lucchetti sofre grande influência do genial poeta americano.

Emoção nº 69, São Paulo, maio de 1963.
Rubens Francisco Lucchetti, sem dúvida um dos maiores estudiosos brasileiros da obra de Chaplin.

Alex Viany. Chaplin Ensaio-Antologia de Carlos Hitor Cony, Rio de Janeiro, 1967.
Quando se instalou a Editora Outubro, em 1959, havia na lista de suas publicações também uma série de pocket-books, chamada de Super Bolso, na qual saiu, em 1963, o título ‘Noite Diabólica’, que reunia uma série de contos de R.F.Lucchetti, ilustrados por Jayme Cortez. Esse volume, aparentemente despretensioso, foi o primeiro livro de terror escrito no Brasil.

Rodolfo Piper. O Grande Livro do Terror, São Paulo, 1978.
Nosso escrete de artistas nacionais é reforçado com a chegada de dois nomes bastante importantes e com um passado bem enaltecedor: Rubens Francisco Lucchetti e Nico Rosso. Lucchetti é um dos roteiristas mais prolíficos do Brasil, autor de inúmeros argumentos, pesquisas e ensaios sobre o macabro. Seu parceiro predileto, Nico Rosso, já é bastante conhecido pelos apreciadores.

Otácilio d’Assunção Barros. Spektro nº 4, Rio de Janeiro, janeiro de 1978.
Já nas livrarias o romance policial “O Crime da Gaiola Dourada”, de R.F.Lucchetti, que nada mais nada menos do que o roteirista predileto de Zé do Caixão. Além de novelista inveterado (...) dedica-se também às histórias em quadrinhos e ao desenho animado. Como “quadrinista” ele formou dupla com os maiores desenhistas do país, já tendo trabalhado para a “Kripta”, “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” e outras, sendo que mordeu um prêmio em França (1963) pelo filme “Tourbillon”, produziu quando recém-inaugurava o Centro Experimental de Ribeirão Preto ao lado de Bassano Vaccarini.

Nelson Motta. O Globo, Rio de Janeiro, 16 de outubro de 1979.
(...) Posteriormente, o escritor Rubens Francisco Lucchetti propôs a Rosso (Nico) fazer ‘Nosferatu’, uma personagem que, no âmbito do terror, apresentava características novas, mais sutis, com significado erótico-psicológico, as quais modificaram, a partir dali, a orientação das histórias de terror brasileiras.

Vasco Granja. Tintin (12º ano) nº 2, Porto. 24 de novembro de 1979.
Até algum tempo atrás, apesar dos pesares, a literatura urbana carioca se restringia a poucos autores. (...). Hoje, talvez felizmente, as coisas tenham mudado e grande parte da literatura brasileira, aborda temas cariocas ou, pelo menos, escolhe o Rio de Janeiro como ambiente. Desde um livro ainda inédito de R.F.Lucchetti, escritor paulista (...) talvez seja o mais carioca, melhor, especificamente carioca, por sua linguagem tradicional, quase clássica, onde as personagens, reunidas às paisagens, formam um todo completo, acabado. Sendo também um livro universal, pelos dramas e sentimentos que trata de resto comuns a todos os homens de qualquer subúrbio e cidade grande, com suas misérias e picuinhas, é também um romance carioca.

José Edson Gomes. Revista Diners, Rio de Janeiro, fevereiro de 1980.
“A Maldição da Múmia” é um filme de terror mais vai além do cinema de terror, um filme épico (...) e angulação de histórias de quadrinhos, o roteirista é artista plástico e da palavra no espaço visual chamado Rubens Francisco Lucchetti de quadrinhos e terror que fez novela de rádio e mora na Ilha do Governador sem casa própria...

Gilberto Vasconcellos. Folha de S.Paulo, 17 de maio de 1981.
Também peça importantíssima, talvez origem da parte substancial da criatividade tão bem absorvida e posta em prática por Ivan Cardoso, é o roteiro de Rubens Francisco Lucchetti, muito conhecido como autor de histórias em quadrinho.

Carlos Fonseca. Última Hora – Revista. Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1982.
‘O Segredo da Múmia’ é principalmente um filme sobre o cinema de terror. (...) roteiro de Rubens Francisco Lucchetti, depois que a produção conseguiu algum financiamento da Embrafilme. Lucchetti, autor de histórias em quadrinhos, roteirista assumido dos primeiros e originais filmes de José Mojica Marins (...) alinha personagens e situações típicas de policiais e filmes de horror com humor e precisão por toda equipe.

Edmar Pereira. Jornal da Tarde, São Paulo 21 de outubro de 1982.
Considerado superior até mesmo a algumas histórias de Agatha Christie, esta trama inteligente e precisa, repleta de emoção e de fino humor, é uma agradável surpresa para o leitor. (...) Desenhando seus personagens com invulgar habilidade, “O Crime da Gaiola Dourada” revela todo talento de R.F.Lucchetti, escritor digno de figurar entre os melhores do gênero.

Revista do Livro nº 48 – São Paulo. Janeiro/Fevereiro/Março de 1983.
Eu passei a maior parte de minha vida entre doutores entulhados de diplomas até a garganta, e por isso não tenho qualquer ilusão a respeito. Na verdade, quando tenho escolha, prefiro passar uma tarde batendo papo com o meu grande amigo Rubens Francisco Lucchetti, -- que não tem título nenhum, mas é a coisa mais parecida com um gênio que eu já conheci...

Geraldo Maia Campos. Dr.Prof. Emérito titular em Patologia da Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto. Diário da Manhã, Ribeirão Preto. 31 de agosto de 1983.
(...) Reforçando nossa hipótese da presença dos ideais românticos do século XIX no cinema de Mojica, lembramos aqui a profícua parceria deste com o escritor e roteirista Rubens Francisco Lucchetti, “pai” da literatura de horror e suspense no Brasil e quase um avatar de Edgar Allan Poe.

Josette Monzani. Terror Cinematográfico Brasileiro. In Olhar Cinema, 2006
“O caminhão correndo por estrada meio escura. Vento forte agitando a vegetação e os galhos de árvores. Nuvens negras, correndo baixas e prenunciando temporal...”. A leitura do roteiro de Rubens Lucchetti mão deixa qualquer dúvida quanto à familiaridade do território, pois já nos encontramos muitas vezes com essas imagens, clichês audiovisuais da cultura de massa contemporânea que a obra cinematográfica de Ivan Cardoso vem revivendo e trabalhando com talento. (...) Roteirista e diretor, quando querem, usam e abusam das fórmulas prontas, sempre com a intenção de dar-lhes uma nova roupagem.

João Luiz Vieira. Caderno de Crítica nº 2. Embrafilme, Ministério da Cultura, 1986.
A imaginação febril de Lucchetti, é impressionada pelos velhos castelos, pelas casas decrépitas, pelas cavas húmidas e pelos corredores escuros por onde sopram os ventos do além, pressentindo presença fantasias, lugares tais jamais visitados mas nelas trafega com a mesma desenvoltura de quem lá sempre esteve.

Tem uma carta de Graciliano Ramos para sua sobrinha Beatriz que diz: “Você escreve sobre situações que não vive, personagens que desconhece, sua história fica irreal, escreva sobre você, suas experiências, coisas que vivencia, que conhece."

Eu concordo particularmente com relação ao caso da sobrinha, mas vejo que tu consegue, numa situação estranha, colocar realidade na ficção distante. Esta capacidade é um misto de invenção e magia que faz o transporte do artista a mundos outros que não o seu.

Por isto temos a capacidade de sentir e viver outras emoções que não as do cotidiano. Escrever e viajar na história é uma graça mediúnica e tu tens esta graça.

Em carta enviada ao autor por Carlos Augusto.

Brasília, janeiro de 2009
(o missivista é ator e teatrólogo)

Allan Poe, o mestre do gótico tem segredos revelados por seu maior discípulo brasileiro, o escritor R.F.Lucchetti.

Conhecimento Prático Literatura nº23, São Paulo, 2009.

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