quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sergio Mastropasqua

Ator. Em cinema atuou em: "Linha de Passe", "O Ano em Que meus Pais Saíram de Férias", "Não por Acaso" e "Entre Vales e Montanhas". Em TV, atuou em "A Justiceira", "Carga Pesada", "A Grande Família", "João Miguel", "Guerra e Paz", "Malhação" e "Força Tarefa".
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Invariavelmente o talento de quem faz o convite. Há uma geração de realizadores muito profissional e que dentro do formato do curta  tem trabalhado a síntese dos elementos, articulados com ótima produção. São células de preparação e foco. Percebo que as equipes estão cada vez mais entrosadas. E quando as condições de trabalho são claras, os resultados aparecem e é bom fazer parte disso.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Talvez não tenham o espaço pela quantidade e variedade de linguagens dos filmes produzidos. Não há uma padronização reconhecível, graças à Deus. O curta é o espaço da experimentação por excelência. Experimentação  com rigor de narrativa, linear ou não. Já a grande mídia é institucionalizada. São amantes que falam línguas diferentes.  Mas os canais digitais estão ai. Estão até coadjuvando a queda de ditaduras. Vivemos tempos de revolução em relação ao tempo, formato e local de exibição do  áudio visual. Como diz o poema épico dos indianos: "Há muitas auroras que não brilharam ainda".
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A única forma é como vocês dizem: "botar o filme em baixo do braço", ou botar os filmes no HD. Juntar e articular esforços para os canais que já existem e pensar novas maneiras, principalmente a comunicação digital. A outra questão é: se quer falar com mais gente use a subjetividade sim, mas não isole sua obra para um gueto ou só para si. Numa época de saturação de narrativas, deve-se fazer uma obra não para agradar o público, mas tente conversar com ele. Nem que seja para provocá-lo.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Não sou realizador da área. Produzo meus trabalhos no teatro. Se é possível só fazer curtas? Acho que sim. Conheço gente que faz isso apaixonadamente. Quando ao longa-metragem, os custos são altos e é uma questão de oportunidade. O mercado brasileiro é "chapa branca". Depende de dinheiro do Estado. Não há uma dinâmica, principalmente em relação à distribuição, que permita um trabalho continuado de um criador. São poucos os que conseguem, infelizmente.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Meu convívio com "a classe" é pontual e se reduz, basicamente, ao momento do trabalho. Não tenho como responder. Mas se isso ocorre, é dai? Quem faz curtas é que deve se valorizar. A melhor maneira disso acontecer é problematizar a própria atividade e seguir em frente. Estrela, só no céu.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Tenho um projeto de trabalhar textos de teatro do século 19 num média metragem. Sei que o termo "teatral" é empregado nos sets de filmagem como algo pejorativo. Pouca gente de cinema lê teatro. Na verdade, pouca gente lê. Disso resulta que o conceito de "real" ou "realismo" no cinema brasileiro acaba ficando pobre e ingênuo. Geralmente resulta em diálogos inverossímeis, cujo dramatismo ainda depende muito do documentário. Isso é falta de um maior contato com outras fontes de narrativa: a literatura e o teatro. O excesso de lentes e luzes, por vezes, deixa o pessoal do cinema no escuro.

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