quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Marcela Lordy

 
Marcela Lordy nasceu e mora em São Paulo. Formada em cinema, foi assistente de direção dos cineastas José Eduardo Belmonte, Murilo Salles, Hector Babenco, Walter Salles, Daniela Thomas e Carlinhos Nader. De 1994 a 1996 trabalhou com fotografia still e de 97 em diante como assistente de direção nas principais produtoras de São Paulo. Em 2002 foi para Cuba estudar direção de atores na EICTV e a partir dai começou desenvolver projetos autorais. Em 2010 estreou no Rio de Janeiro cinco curtas criados para o monólogo ‘Louise Valentina’ da atriz Simone Spoladore, depois transformados no curta ‘Sonhos de Lulu’, e foi contemplada num edital do Governo do Estado de SP para dirigir seu primeiro filme de ficção, ‘A Musa Impassível’ para TV Cultura. ‘Ouvir o Rio’: uma escultura sonora de Cildo Meireles é sua primeira experiência no cinema documental.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Um bom roteiro, um amigo talentoso, paixão a primeira vista. Algo tem que mover por dentro. Costumo trabalhar em filmes que tenho vontade de contar a história. Curta metragem trás sempre um espaço lindo de experimentação e descoberta. Você tem que estar completamente envolvido. As pessoas também são fundamentais, afinal curta não se faz para ganhar dinheiro nem para perder tempo. No cinema curto, médio ou longo a demanda é a mesma, a dedicação e a entrega que o cinema pressupõe trás sempre alguns sacrifícios.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Por que são pouco vistos, falta mais acesso a exibição nas salas comerciais, programas de televisão aberta... Como não fazem parte do circuito comercial não geram muita mídia. Ironicamente quando ganham espaço em festivais fora do pais ganham alguma mídia por aqui.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Nos circuitos comerciais poderiam haver mais sessões temáticas, por diretor, estilo de linguagem, épocas... Antes dos longas é uma forma bem interessante mas não pode virar uma obrigação, tem que ser espontâneo, por exemplo, numa sessão passa um monte de propaganda chata e na outra um curta incrível, assim as pessoas são surpreendidas e gostam. Na TV aberta deveria haver mais espaço, afinal existem curtas geniais na cinematografia nacional. Nas escolas, universidades, salas de espera... Hoje em dia o acesso que temos na internet também é fundamental.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É completamente inviável comercialmente pelos motivos que já conversamos aqui, nesse sentido ser cineasta nesse pais por si só já é bem difícil e raro como única forma de sobrevivência. Mas pensando como forma de criação artística sim, é completamente possível ser um cineasta só de curta-metragem. Um contista não precisa necessariamente escrever romance, muitas vezes ele se expressa melhor escrevendo contos, e para o cinema vale o mesmo. O curta é um formato completamente autônomo que tem um poder de síntese único. Delicioso. Ele trás também certa liberdade por não envolver uma produção grande e pode ser feito de forma mais experimental e espontânea. O curta metragem está num lugar diferente do cinema de longa metragem comercial que envolve outras questões.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
De forma alguma. Pelo menos pelos bons cineastas não.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Muitos, tenho projetos de curta metragem. Amo o formato.

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