sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Suzy Rego

Atriz.
 
Você começou sua carreira como modelo aos 13 anos de idade em um Clube Militar do Rio de Janeiro. Como foi isso?
Era comum as meninas da minha faixa etária participarem do curso de modelo e manequim, a professora era Rita Mancini, que desfilava para grandes nomes da moda carioca, foi uma experiência deliciosa, as pré-adolescentes cheias de sonhos e um curso super competente e divertido. A partir disso comecei a desfilar de forma amadora, para lojas das redondezas, em troca de roupas, era ótimo.
 
Depois de ganhar concursos de beleza, pensava em se profissionalizar como modelo?
Sim, sempre tive esse objetivo, minha meta era juntar dinheiro como modelo para fazer um curso profissionalizante como atriz.
 
Como modelo publicitário foi a mais famosa garota propaganda da loja Le Postiche, de malas, casacos e cintos. Quais as dores e as delicias de “vender” sua imagem para uma marca?
As delícias sempre foram o dinheiro garantido para honrar as contas e ajudar a família além de me presentear com alguns mimos. Mais outra delícia é se tornar conhecida do grande público e assim ser frequentemente chamada para outros eventos remunerados e mordomias em geral, ganhar presentes, viagens, conhecer profissionais excelentes e potenciais contratadores, enfim, muitas vantagens.
 
A única desvantagem (por razões óbvias naquela época, hoje é diferente) é que outros produtos deixaram de me contratar por acreditarem que eu tinha contrato de exclusividade total com a marca, mas era só para produtos da mesma categoria. De qualquer forma, sou toda grata ao período que fui porta-voz da marca.
 
Comercial é importante só pelo dinheiro?
Pelo dinheiro e pela possibilidade de conhecer cineastas, diretores, produtores, apoiadores, patrocinadores e profissionais em geral da nossa área. É uma rica experiência.
 
Em que momento da sua vida decidiu se tornar uma atriz?
Bem jovem, por volta dos 17 anos, sempre quis estudar. No entanto saí de publicidade para a televisão sem nenhuma formação, tenho aprendido desde então com colegas atores, técnicos, diretores, enfim, a melhor escola.
 
Desde o inicio da sua trajetória artística seu trabalho está muito ligado á sua beleza. É necessário ser bela para se tornar uma atriz?
Temos belíssimas atrizes pelo talento, criatividade, arrojo, carga dramática ou humorística e são símbolos de profissionais bem sucedidas que nunca tiveram necessidade da beleza padronizada para se tornarem atrizes, isso é o que enriquece uma produção cênica, caso contrário, esse trabalho só seria feito por modelos femininos e masculinos dotados apenas de estonteante beleza...e?
 
Por que você ficou quase 11 anos afastada das telenovelas?
Fiquei de 1998 a 2009 sem contrato com a Rede Globo pois fui contratada por outras redes, fiz novelas no SBT, Record, Bandeirantes e fiz muito teatro também.
 
Você tem uma identificação muito grande com a TV Globo, como foi trabalhar em ‘Paixões Proibidas’, da Band, com outra estrutura?
A estrutura da Band em "Paixões Proibidas" era muito familiar, pois lá estavam muitos profissionais que conheci em outras emissoras. Quando estamos contratados nos tornamos uma grande equipe e é fundamental que todos se empenhem e reconheçam as diferenças de estrutura entre os canais. Um bom profissional lida com isso com naturalidade e bom senso. Nossa torcida é para que todas as redes tenham a possibilidade de atingir a excelência da Rede Globo e nos traz muita alegria toda vez que uma produção da televisão nacional tem seu trabalho reconhecido mundialmente pelas vendas e por prêmios recebidos.
 
Na época em que você estava no ar numa propaganda de absorventes íntimos, recebeu de Paulo Ubiratan, seu primeiro convite para um trabalho na TV, onde interpretou Alice, na novela O Salvador da Pátria (1989). Como foi a experiência de encarar uma telenovela?
Na verdade fui convidada pelo meu saudoso padrinho de TV Paulo Ubiratan para fazer um teste em São Paulo com outras várias candidatas ao papel. Fiquei extasiada quando soube que faria a novela, tive muita ajuda da Betty Faria, Cecil Thirè e do meu namorado na época, o ator Paulo César Grande, que entre outros, são pessoas que habitam um alto patamar de minha gratidão.
 
Em seguida, viria o trabalho que lhe deu projeção nacional, no papel de Carla, na novela Top Model, também da Globo. Como foi lidar com um sucesso nacional?
Eu já lidava com um sucesso nacional, rs rs rs, acompanhei muito o ator Paulo César Grande em gravações, ensaios de teatro, estreias, temporadas, viagens, baile de debutantes, publicidade, etc...costumo dizer que o Paulão foi minha "faculdade" na profissão. Convivi com Paulão e o mega assédio que ele sempre teve, a simplicidade com que tratava a todos e a incansável dedicação ao trabalho, além de ser um colega generoso e um ser humano sempre disposto a aprender.
 
Por que, nos anos seguintes, você não conseguiu grandes trabalhos na Globo?
Fiz uma temporada teatral durante 4 anos com o mega sucesso "Caixa 2" de Juca de Oliveira e viajei o país inteiro com essa e outras magníficas peças de teatro, fiz uma temporada espetacular com Antônio Fagundes em "7 Minutos" que teve carreira internacional com temporada gloriosa em Portugal, fiz teatro dirigida 3 vezes por BIBI FERREIRA, trabalhei com Marcos Caruso, Irene Ravache, Rogério Fróes, Juca de Oliviera, Neusa Maria Faro, Fauzi Arap, Nelson Baskerville, André Garolli, Cláudia Mello, Petrônio Gontijo, Eugênia de Domenico, Blota Filho, Jayme Periard, etc etc etc...para uma atriz sem formação catedrática, acadêmica, é ganhar a sorte grande.
 
Você faz parte da memória afetiva de milhares de pessoas no país, como você “trabalha” com essa questão?
Estou viva, faço parte da memória imediata também, rs rs rs.
 
(um dos rostos mais conhecidos da TV brasileira)
 
No teatro são várias as participações: “O Mistério de Gioconda"; "Sete Minutos"; "O Grande Dia"; "Caixa Dois"; "Brasil S.A."; "O Diário de um Mago"; "Procura-se Um Tenor", "Sauna", entre outros. Hoje o teatro é a sua maior paixão?
Sempre será, pois é minha escola, meu aprendizado, meu aperfeiçoamento. Todos os diretores de novela me dizem que trabalhar com atores de teatro nas novelas é um sonho. Concordo, salvo raríssimas exceções, claro.
 
Grande parte dos seus papéis no teatro são voltados para o humor. Qual a razão?
Tenho a tendência a priorizar os convites para comédias, sinto-me muito a vontade com esse gênero.
 
Você trabalhou também no SBT em: "Sangue do Meu Sangue” e "Era Uma Vez". Em 1999, na Rede Record: "Louca Paixão", "Amor e Ódio". Rede Bandeirantes em 2005 e 2006 fez:"Floribella". Como essa experiência, como analisa a produção e o campo de trabalho para atrizes?
A produção tem melhorado em todas as emissoras, a tecnologia avança velozmente, a Internet muda o mundo, a informação chega para todos e permite o surgimento e divulgação de materiais inovadores e surpreendentes e o mercado de trabalho possibilita espaço para várias atrizes (e atores) nas mais diversas mídias...assisto muito o Canal Multishow e o GNT, aprendo e me divirto muito com as produções brasileiras desses canais a cabo...mas amo rever as produções do Canal Viva, aulas magnas para todos com grandes nomes!
 
Por que você fez tão pouco cinema?
Incompatibilidade de horários e oferta desanimadora de cachê, além de roteiros insatisfatórios até agora, lamentavelmente.
 
No cinema a chamada “panela” é mais evidente e mais difícil de ingressar?
Apenas questão de prioridades.
 
O que um produtor de cinema, especificamente de curta-metragem, precisa fazer para te convencer a participar de uma produção?
Convencer-me com um bom roteiro e oferecer-me condições confortáveis para trabalhar e uma remuneração decente.
 
(A atriz na gravação de Morde e Assopra)

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