quarta-feira, 18 de junho de 2014

Marianna Armellini

 
Atriz. Formada em Artes Cênicas pela Escola de Arte Dramática, em São Paulo, resolveu se juntar a três amigas para criar o grupo ‘As Olívias’. O sucesso foi tão grande que a comédia foi dos palcos para a TV e virou uma série no canal Multishow. Em 2012, foi convidada para entrar no elenco do remake de ‘Guerra dos Sexos’.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Roteiros interessantes, possibilidade de explorar novas faces como atriz, a possibilidade de trabalhar com equipes novas (o contato com os profissionais de cinema é sempre um aprendizado num país com uma produção cinematográfica relativamente recente, como o Brasil). Os curtas-metragens em geral, são mais “livres”, têm roteiros mais originais que os longas-metragens, exatamente porque não têm um compromisso comercial – e liberdade é sempre algo rico para os atores.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Sinceramente, não sei responder com exatidão a essa pergunta. Imagino que a razão seja exatamente a falta de hábito do público brasileiro de assistir a esse tipo de cinema. Ainda somos um país que consome os blockbusters norte-americanos – a produção de longas nacionais sofre para emplacar sucessos e pagar o investimento feito na sua produção. Dependemos de leis de incentivo para produzir os filmes – o que acaba determinando que tipo de filme será produzido: aqueles com maior apelo popular e que possam reverter em bilheteria o investimento feito. Mas, se novo, isso são suposições – eu não tenho conhecimento de pesquisas e números que comprovem qualquer coisa!
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que as grandes salas de cinema deveriam promover exibições dos curtas antes dos longas – assim, as pessoas se acostumariam a um tipo de filme rápido, diferente, interessante – e a partir do momento que entendem o que é, podem formar uma opinião (se gostam ou não) e passar a frequentar festivais de curtas, por exemplo. É como os filmes europeus: a maioria do público não conhece ou teve uma experiência ruim com um filme, e por isso diz que “não gosta”. Se assistissem a um filme incrível – não importa em que língua é falado, ou a duração dele – gostariam de ver mais. Para mim, cinema bom é aquele que me move, que me toca, que conta uma boa história. Não interessa de que maneira ou com que linguagem.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Puxa, não sei! Não sei nem se é possível ser somente cineasta no Brasil! Digo isso porque, como atriz, sei que é um mercado em expansão, mas é difícil você ver atores que só fazem cinema. Mas, esquecendo a questão do mercado de trabalho, acho que deve ser possível sim um profissional se especializar em um único tipo de filme – e fazê-los cada vez melhor!
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Também não sei se isso procede... imagino que não, existem tantas boas produções internacionais que reúnem curtas de grandes diretores em cima de um mesmo tema...acho que tudo é uma questão cultural: se esse país consumisse mais cinema nacional, se tivéssemos uma produção maior de filmes de todas as categorias, talvez os curtas fossem algo comum de se assistir e, consequentemente, de produzir.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca pensei em dirigir cinema, porque me falta conhecimento técnico e mesmo experiência de atuação em cinema – foram pequenas participações em quatro longas e um curta até hoje. Mas tenho algumas ideias que gostaria de um dia ver produzidas no cinema... quem sabe?

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