terça-feira, 1 de agosto de 2017

Os Trapalhões: Denise Dumont


Denise Dumont
Atriz


Eu gostaria que falasse do seu filme com Os Trapalhões, Os Vagabundos Trapalhões.
Foi ótimo! Eu fazia muito teatro infantil e adorei ter a chance de trabalhar com eles e de fazer algo em cinema para crianças. Meu filho Diogo nessa época tinha quatro ou cinco anos de idade; portanto, eu fiz esse filme pra ele.

O produtor dos Trapalhões a assistiu em alguma peça infantil ou o convite partiu do próprio quarteto?
Não sei onde eles me viram. Na época, eu fazia novela e já era bastante conhecida. Portanto, não era difícil me achar. A produção era do Renato Aragão; e o diretor era o J. B. Tanko, que, por coincidência, havia dirigido a minha mãe, Margot Bittencourt, em O Comprador de Fazendas, um filme dos anos 1950.

Quais as principais recordações do quarteto?
Eram todos adoráveis e grandes comediantes. Muito bom também trabalhar com a Louise Cardoso e o Edson Celulari, que eram meus amigos.

Renato Aragão, Dedé e Mussum tinham como característica a irreverência. Até nos bastidores das filmagens, eles brincavam muito. Isso procede? As filmagens eram descontraídas?
Sim, eles eram doces, engraçados, bem-humorados e simpáticos.

Como compôs a personagem da professora Juliana?
Por eu ter um filho pequeno, não era nada difícil para mim ter carinho e cuidado por outras crianças. Comecei por aí.

Recorda-se em que local esse filme foi realizado?
No Rio de Janeiro.

Qual local? Aquela caverna era cenografia?
Já quebrei a cabeça e não consigo me lembrar! Se você descobrir, conte para mim, por favor. Faz muito tempo!

Que representava, naquele período, trabalhar em um filme com Os Trapalhões, que eram certeza de sucesso de bilheteria?
Eu não tinha essa perspectiva. Achava legal trabalhar com eles e fazer um filme que meu filho pudesse assistir.

Você acabou aceitando o convite por causa do seu filho? Ele chegou a ver de perto o quarteto?
Eu aceitei porque gostava deles e achei uma honra trabalhar com o grupo, além de ser um prazer fazer um trabalho especialmente para o meu filho. E o Diogo conheceu todos eles, o que foi uma delícia.

Durante as filmagens havia muita improvisação?
Não mais do que em outros filmes. Eles tinham uma relação muito familiar entre eles, um já meio que sabia o que o outro ia fazer. Funcionava muito bem.

Como foi o seu contato com o quarteto?
Muito simpático. Tenho boas lembranças.

Por que, na sua visão, os críticos e a Academia rejeitam os filmes produzidos e estrelados pelos Trapalhões?
Eles são rejeitados? Sempre achei que eles eram ícones da nossa Comédia. Como os Irmãos Marx, por exemplo. Não sei. Talvez por serem direcionados ao público infantil!!

Como classifica o cinema feito pelos Trapalhões?
Como boa e doce Comédia para crianças especialmente.

No filme, é curioso notar como são permitidos e aceitos (pela narrativa e pelo público) pequenos roubos e enganações, em nome de um projeto de vida que vira praticamente um projeto de integração social, um substituto emergencial de falhas institucionais. Como analisa isso?
Era uma Comédia! Sem dúvida, com crítica social; mas não acho que, em momento algum, aquilo era uma apologia da desonestidade como solução para problemas sociais. Havia um contraponto entre o cara rico, que não tinha tempo para dar carinho ao próprio filho, e os “vagabundos”, que, de uma maneira caótica e hilária, não tinham poder aquisitivo, mas estavam cheios de amor para dar.

Gostaria que contasse alguma curiosidade ou fato que tenha presenciado como testemunha ocular desse trabalho com Os Trapalhões.
Não me lembro de nenhum fato extraordinário. Eram todos muito gentis e profissionais.

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