terça-feira, 12 de julho de 2011

kassandra Speltri



Kassandra é atriz, figurinista e artista plástica. Trabalhou em filmes como ‘Corpos Celestes’ e a partir deste mês passa a assinar um coluna mensal no blog Os Curtos Filmes.

O que te faz aceitar participar de uma produção em curta-metragem?
Quem me convida é sempre um bom personagem e um bom argumento, acho que são ingredientes importantes. Mas por outro lado, me coloco sempre aberta ao exercício do meu ofício sem muito julgamento quando sinto que meu trabalho ajuda a fomentar a produção de curtas. E existe também algo que é extremamente estimulante que é a afinidade artística, já tive o prazer de cruzar com pessoas em quem tenho confiança suficiente pra me colocar á disposição das suas idéias.

Por que os curtas não tem espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Talvez porque no nosso país não tenhamos ainda a cultura de formação de platéia, hoje com a internet só não se intera quem não quer, portanto acho que falta vontade política nas pessoas pra se informar, pra escolher bem o que fazem em seu tempo livre, falo isso da massa, porque é claro que existe um grupo de pessoas e que não é pequeno que se interessa e muito, mas talvez sejam mais as pessoas envolvidas do que o público em geral, que é quem poderia nos ajudar a abrir esse espaço.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Não sei, talvez se tivéssemos salas de cinema onde só exibissem curtas a preços populares. Na internet temos sites que hospedam o trabalho de algumas pessoas, de certa forma isso ajuda a divulgar essa arte, mas acho que o interesse da mídia pra esse tipo de evento ainda é muito pequeno e isso impede que a população tenha conhecimento da produção que existe e que não é pequena, acho que a mídia poderia fazer um trabalho importantíssimo que é o da valorização da classe, talvez assim as pessoas se sentissem estimuladas a conhecer e procurar esses eventos com prioridade.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Não, acho impossível que uma pessoa não se sinta tentada a se aventurar em saltos mais altos, afinal, a experiência que se ganha fazendo vários curtas deve ser posta em prática. Quanto a ser trampolim, acho que tudo vai depender da segurança e honestidade, acho que fazer um longa é sempre um grande desafio pra qualquer pessoa que se envolve.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Se é, não deveria, quando faço um trabalho não costumo me importar muito com a opinião das pessoas, acho que o respeito deve partir de mim para com as pessoas que irão assistir, é claro que uma crítica construtiva de um colega é sempre bem vinda, mas acho que todo trabalho deve ser voltado para o público sem se importar muito com a opinião da classe.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não, gosto muito do meu ofício. É claro que não posso falar que nunca farei alguma coisa, mas até o momento gosto mais de fazer parte da massa de modelar que é ser atriz. Acho maravilhoso contribuir e de certa forma materializar idéias, criar universos e brincar de ser muitas pessoas dentro de uma.

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