quarta-feira, 27 de julho de 2011

Kátia Klock



Kátia dirije o CurtaDoc - programa idealizado por ela e sua equipe Contraponto e produzido para o SESCTV.

Por que criar um programa de TV que seja focado no curta-metragem?
Nossa proposta com o CurtaDoc era justamente abrir um canal específico na televisão para a exibição do curta-metragem documental. O programa dá visibilidade a esse formato e vai além, abre a discussão para a produção audiovisual e, especificamente, para a cultura do documentário. Em 37 programas (52min) exibimos 125 curtas na primeira edição (ainda no ar). Agora teremos mais 50 programas e a previsão é apresentar mais 170 curtas-documentário.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O tamanho de certas histórias e a vontade de continuar experimentando. Parece mais fácil experimentar em filmes curtos do que longos… E, antes de mais nada, a duração que o filme vai ganhar depende do fôlego da história. Como minha experiência sempre esteve muito próxima da grade de programação da televisão, e é quase inexistente espaço para filmes curtos nas emissoras, acabamos concentrando nossas produções em médias-metragens de 52 minutos. É uma duração que alguns canais fixaram como espaço para documentários.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Você já ouviu falar em curta-metragem para o grande público? Muitas pessoas não sabem nem o que significa essa expressão. Curta é assunto de festivais de cinema, cineclubes e mostras. Com isso, ele circula em locais muito específicos. Já a mídia está interessada em pautas que interessam ao público em geral. Aí nos deparamos com um círculo vicioso. Não há espaço porque não há público, não há público porque não existe espaço… Os críticos de cinema dos grandes veículos estão fadados a seguir o caminho regido pelo mercado. Uma coisa puxa a outra.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Se a Lei do Curta, de 1975, fosse regulamentada e estivesse em vigor o mercado e a visibilidade do curta-metragem brasileiro seriam diferentes. O filme curto deixaria, pelo menos, de ser 'marginal', teria um espaço de exibição para o grande público nas salas de cinema - hoje tomadas na sua maioria por filmes norte-americanos. Mais um motivo para o cinema nacional ter um local garantido por lei. Não que as leis sejam o melhor caminho, mas em um país onde educação, cultura e saúde não são prioridades, certas leis devem existir.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
O curta pode ou não ser trampolim. Acredito que ele possa fazer parte da carreira de um realizador que de tempos em tempos resolve filmar uma curta história. Mas isso é raro. É fato que presenciamos carreiras de diretores que se esquecem do curta-metragem assim que deixam para trás sua condição de iniciante, quando era possível experimentar.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
A maioria diz que sempre está querendo fazer novamente um curta… Mas depois que a carreira engrena a maioria dos realizadores começa a se envolver com projetos maiores. Se há preconceito? Pode ser…

Pensa em dirigir um curta futuramente?
As curtas histórias sempre estão por perto. Temos alguns projetos, a maioria ainda para documentários curtos. As ideias e os quereres são muitos. Poucos são os incentivos para a produção de um curta. E mesmo os projetos de curtas-metragens aprovados em leis de incentivo à cultura são difíceis de captar recursos, já que o retorno para o patrocinador é imensurável nesse mundo invisível do curta.

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