sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Esmir Filho



Esmir é diretor de cinema. Começou sua trajetória no cinema dirigindo curtas de grande repercussão, como o ‘Tapa na Pantera’. Depois de muitos prêmios, fez seu primeiro longa ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’.

Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
Ele é justamente uma peça onde você pode experimentar. O formato curto te proporciona exercitar seu olhar perante o mundo. Porque estórias há muitas, mas os olhares devem ser únicos.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Simplesmente porque não são comercializados. Espaço na mídia = comercialização de produto.

Como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que a internet veio aí para ajudar. Muitos curtas estão sendo vistos por causa da internet. a duração ajuda. Já tentaram passar curtas antes dos longas, mas os exibidores não querem perder tempo (dinheiro) com isso.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Bom, eu sempre vi o conto para um curta, assim como um romance para um longa. Eu estou lançando curtas meus em editais ainda. Acredito, gosto, me envolvo. Não acredito em trampolim, mas acredito no exercício do olhar. Você pode ser um cineasta só de curta-metragem, é só uma questão de opção. Mas porque não fazer um longa também? É o sonho de todos.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não acho. Eu, inclusive, sou a favor da profissionalização do curta. Não faço curta sem grana, chamando galera pra ajudar. Acho o fim!!! Para que o curta ser respeitado, deve ser profissionalizado: todo mundo ganhando, cronograma e orçamento organizados. Assim se leva a sério.

Seu curta 'Tapa na Pantera' foi a maior sensação cinematográfica dos últimos anos. Podemos considerá-lo o 'Ilha das Flores' do século XXI?
Hummm... não sei. São coisas diferentes. o "Ilha das Flores" é um curta elaborado, ovacionado em festivais importantes de cinema, levado ao público em diversos formatos. O grande mérito do "tapa" foi o meio divulgado, a internet. De repente, milhões de pessoas estavam assistindo e mandando umas para as outras. Foi um fenômeno cultural virtual e espontâneo. eu acho que a diferença é que o evento "viralizador" que aconteceu com o "tapa" é muito mais importante historicamente do que o conteúdo do curta, que é uma brincadeira sobre o tabu da maconha. Com "ilha", é diferente. Não importa onde foi e como foi divulgado. É um grito pedindo socorro. e que foi ouvido por muitos.

Qual é o grande atrativo de filmar um curta?
Exercitar seu olhar! Experimentar sem medo! Mais liberdade, ele é só seu. Você não tem pressão de patrocinadores, distribuidores.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
É só ganhar um edital e estarei filmando o próximo!

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