quinta-feira, 14 de junho de 2012

Clarissa Kiste

Clarissa fez o Teatro Escola Macunaíma e formou-se bacharel em Interpretação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Seu papel de maior destaque é a personagem Luisa, da série policial "9MM - São Paulo", do canal Fox. No cinema, atuou em dois longas-metragens: "Trabalhar Cansa" (2010), de Marco Dutra e Juliana Rojas, e "Carmo", de Murilo Pasta. Nos curtas-metragens: "O Lençol Branco", de Juliana Rojas e Marco Dutra, "Vontade", de Manoel Rangel, "Nervos de Aço", de Ed Andrade, e "Que Fazer?", de André Luís de Luis.


O que te faz aceitar participar de trabalhos em curta-metragem?
Os curtas-metragens são um espaço, em geral, de experimentação. Como não tem tanta grana envolvida quanto num longa, a equipe que trabalha num curta tem mais liberdade criativa e pode testar coisas novas. E, em geral, o ator também sente essa liberdade no seu trabalho, o que é muito bom e muito produtivo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque acho que ainda não encontraram a fórmula certa para eles serem consumidos pelo público. E se não tem público, não atrai a atenção da mídia, e assim, cada vez mais, os curtas ficarão condenados às salas de cineclubes, circuitos alternativos e festivais.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Ninguém vai sair de casa e ir ao cinema pra ver um filme que vai durar quinze minutos. Mas vai sim a um festival com seis filmes de quinze minutos. Ou então, vai adorar ver um curta bacana antes da sessão de um longa. Sei que já existem esses festivais, mas se eles saírem do circuito alternativo e ganharem outros meios de massa, como antes dos trailers de filmes blockbusters, por exemplo, pode começar um movimento de valorização dos curtas, que pode inclusive levar grandes nomes do cinema, grandes diretores, e até mesmo atores conhecidos da TV a voltarem a experimentar esse formato.

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É possível ser um cineasta só de curtas, mas acho economicamente inviável. Se o cineasta leva sua carreira como diretor de curtas-metragens como um segundo trabalho, vivendo de outras coisas como trabalho em publicidade, por exemplo, ele consegue produzir só curtas no cinema. Agora só fazer curtas e viver disso, acho meio impossível. E acho também natural, depois de um certo tempo experimentando esse formato de histórias curtas, que a pessoa queira se aprofundar um pouco mais, construindo uma história mais longa.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acredito que não. Mesmo porque a maioria deles começou a carreira ou pelo menos fez um ou outro curta na faculdade de cinema, então acho que eles veem o curta-metragem com muito carinho, como uma maneira de começar a carreira de cineasta, ou até mesmo de experimentar ideias que não teriam estofo para preencher duas horas de filme.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sinceramente, acho que não... minha praia é outra.

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