terça-feira, 12 de junho de 2012

Heitor Dhalia



Qual é a importância histórica que o curta-metragem tem no cinema brasileiro?
O curta é uma plataforma de aprendizado e experimentação estética. A maioria dos diretores nascem no curta-metragem. O curta é um formato interessante e aponta para o futuro. No Brasil, temos uma forte tradição de curta-metragem. Tanto aqui quanto no resto do mundo, o curta tem conseguido ganhar espaço e interesse de um público que gosta de cinema. O curta é um formato encantador.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não, na verdade, por uma razão simples. O curta é destinado para um publico específico e não o público geral, que é o público que lê jornal. O curta é formato que normalmente passa apenas em festivais e alguns poucos programas de TV. Acho que a atenção poderia ser maior. Mas isso é difícil até para o longa-metragem conseguir este espaço.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Na verdade, isso é uma coisa difícil. Devido a própria essência do formato. A narrativa curta é sempre mais específica. Na literatura é assim também. As pessoas tendem a se envolverem com histórias de maior fôlego, porque o investimento e resposta emocional costumam serem maiores. A falta de tempo também é um fator. Acho que o mundo virtual é uma boa forma do curta crescer de importância. Também cinemas e TVs poderia se dedicar a reservar um espaço ou construir programações especiais dedicadas a isso...

É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É sim tem pessoas que nunca fazem a transição para o longa-metragem. Isso tem muito a ver com o que você quer dizer. E qual o tipo de linguagem que você aprecia como diretor. No entanto, para mim, parece um caminho natural. O longa é irresistível.

O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não, todo cineasta gosto de curta. Mas depois de um tempo, você passa para a outra fase do game. Você quer construir narrativas maiores, com mais alcance de exibição, público e uma profundidade narrativa maior. O longa permite que você desenvolva personagens. O curta é um tiro. Todo que mundo que faz cinema gosta de curta. Adoraria faze outro curta, por exemplo.

Você dirigiu curtas. O que te levou a trabalhar com esses projetos?
Só dirigi um. Por um razão simples, comecei no cinema tarde. Tinha que correr atrás do tempo perdido. Fiz um curta e três longas. E estou preparando mais 2 para este ano.

Conte como foi filmar "A Pantomima da Morte", seu processo de criação, produção e direção.
‘A Pantomima da Morte’ foi um curta experimenta inacabado que filme com 18 anos de idade. Meu primeiro curta mesmo foi o ‘Conceição’. O processo de criação e excussão foi divertido, mas não profissional. Tenho boas recordações.

Conte como foi filmar "Conceição", seu processo de criação, produção e direção.
‘Conceição’ é uma homenagem ao Recife onde morei 23 anos. Foi uma volta para casa. Adorei fazer. Minha primeira experiência séria no cinema. Filmar, na minha cidade, com um equipe super boa. Amei a experiência. ‘Conceição’ é a minha porta de entrada no cinema. Com este filme ganhei muitos prêmios e viajei o mundo todo. E me tornei um diretor. Devo tudo a este filme.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Tentei fazer um ano passado, mas não consegui. O orçamento ficou tão caro que resolvemos desenvolver a idéia para longa. Mas não desisti ainda. Ainda vou rodar mais um curta-metragem na minha carreira de diretor. Viva o curta-metragem.

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