sexta-feira, 2 de março de 2012

Revista Cinema Caipira de março

A revista Cinema Caipira ISSN 1984-896x, número 37, já está disponível para encomenda e download gratuito em diversos formatos. Para comemorar o terceiro ano da revista, a edição de março traz várias novidades como a galeria de imagens, que este mês contou com o artista Goma de São Paulo, um pôster bônus do filme "Sonhos" e além disto a presença de códigos de barras para leitura via smartphones. Através destes códigos o leitor poderá receber materiais exclusivos vinculados aos artigos. Para saberem como utilizar os códigos acessem http://pt.wikipedia.org/wiki/Código_QR

Neste mês contamos com os seguintes artigos;

“A retomada tem nome: Selton Mello”
de Rafael Spaca


“A pichação, os pichadores e o arquivamento do si; Os Filmes de pichadores sobre a pichação”
de Daniel Mittmann

“Botucatu coloca o interior no cinema”
de Luiz Carlos Lucena

“Precisamos Falar sobre Kevin”
de Raoni Reis

“Alegoria e catástrofe em La soufrière”
de Tatiana Hora Alves de Lima

OBS: Os participantes desta edição tem direito a uma revista, bastando enviar por e-mail seus endereços.

revista folheável para leitura online

revista para impressão em arquivo pdf
http://www.4shared.com/office/YJMjKArx/revista37_imp_.html

arquivo ePub para leitura em celulares e tablets
http://www.4shared.com/file/ZLPpSSs5/37_-_Grupo_Kino-Olho.html

para encomendar a revista no valor de R$7,00 cada ou assinar a anuidade por R$70,00, envie e-mail para jpmiranda82@yahoo.com

Para quem quiser ler somente o meu texto, segue aqui:

A retomada tem nome: Selton Mello

Desde 1995 ouço falar na “retomada” do cinema brasileiro. O filme que inicia esse processo é ‘Carlota Joaquina’, da cineasta Carla Camurati.

Mas para falar desta “retomada”, preciso dar um passo para trás e contextualizar o leitor. O então Ministro da Cultura, Antonio Houaiss, cria a Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual, que passa a liberar recursos para produção de filmes, cria-se então o Prêmio Resgate do Cinema Brasileiro. Depois, com o nome de Lei do Audiovisual, ela entra em vigor no governo do Fernando Henrique Cardoso.

O filme de Carla Camurati é financiado, em parte, por este programa, conquista a bilheteria e a crítica, concorre ao Oscar e parte da nossa população passa acreditar na propaganda, enganosa, que o cinema nacional volta a respirar.

Depois de ‘Carlota Joaquina’, qual filme, ou melhor, quais filmes vieram depois?

Conseguimos de fato conquistar as distribuidoras estrangeiras, as nacionais, o público daqui e de fora com os nossos filmes? Houve mesmo um movimento revolucionário incendiando nosso cinema?

Conseguiamos assistir as produções nacionais nas salas de cinema? Conquistamos espaços? A televisão exibe nossa produção ou só rarissimas excessões?

Minha resposta é negativa para todas as questões levantadas até aqui. Por isso, gosto de aplicar o termo “retomada” a uma pessoa: Selton Mello.

Seu posicionamento e postura dentro e fora das telas ocasionaram essa mudança. A partir dele o cinema começa a triunfar. Primeiro na sua figura carismática, que arrasta multidões ao cinema. Depois, ao levantar a bandeira do cinema em “detrimento” da televisão, atiça a classe (de atores) que passa a acompanhar sua luta.

Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Lázaro Ramos, entre outros, inspirados nessa postura, passam a dar prioriadade aos trabalhos no cinema e valorizar, com suas respectivas imagens, nosso audiovisual.

Selton transita na produção, atuação e direção de filmes. Não foram poucas as vezes que li uma entrevista com determinada atriz ou ator que diziam “quero ser como o Selton Mello’.

De certa forma a televisão “aprisiona” os profissionais e dificilmente, pela carga horária de trabalho que as produções impõem, esses profissionais conseguem conciliar um trabalho extenso com uma produção de tempo curto. O teatro é a “obrigação” de todo ator que se preze, mas fica na retina. O cinema é glamour e hoje está na moda.

Atualmente o nosso cinema respira sem ajuda de aparelhos, não alcançamos ainda um modelo ideal, mas há uma reviravolta significativa.

Como diretor, Selton Mello defende uma terceira via para o cinema brasileiro, entre o filme grande, o arrasa-quarteirão, e o miúra, tão pequeno que, em geral, passa despercebido pelo circuito. Essa é a grande sacada!

Não podemos tentar ser como Hollywood, mas também não podemos ser invisiveis. Prêmios da crítica e elogios na imprensa à parte, acredito que a grande mensagem que Selton deu ao audivisual do país foi esse: é possível fazer cinema no Brasil.

Muitos atores, atrizes e profissionais entenderam o recado.

Rafael Spaca, radialista, autor do blog Os Curtos Filmes (http://oscurtosfilmes.blogspot.com/).

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