terça-feira, 20 de agosto de 2013

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica


SINO DE NATAL
Rubens Francisco Lucchetti

Natal... Festa admirável, em que se reúnem todas as tradições e todos os sentimentos.

O nascimento do Redentor da humanidade dividiu a História do mundo em dois períodos totalmente distintos... E o cristianismo é, paradoxalmente, uma mistura de toda a doçura e de todo o heroísmo do amor que perdoa, por mais negros que sejam os crimes, e a justiça, que não deixa um só pecado sem castigo, uma só opressão sem consolo.

Natal. Síntese maravilhosa de todas as lendas. Símbolo adorável de todas as esperanças. Debaixo das árvores onde luzem, como estrelas, as pequeninas velas coloridas, abrem-se, com mãos nervosas, os pacotes dos presentes que Papai Noel tão bondosamente trouxe para todos – grandes e pequenos, ricos ou pobres.

Natal, festa de amor e fraternidade. Exemplo de benevolência em um mundo que parece esquecer as máximas de Cristo, cultivando o ódio em vez do amor, o temor em vez da esperança.

É no Natal, principalmente, que me lembro de Gina, minha adorável Gina. Digo principalmente porque é nesse dia que o vigário de Montebello faz soar o sino especial, que vai tinindo; e o céu inteiro se constela florescente, refulgindo com deleites cristalinos! Ele está na torre majestosa. Agora mesmo ouço suas doces vibrações. É o sino claro, argentino, em tênue som de alegre melodia. E lembro-me de Gina...

Esse sino é meu orgulho – durante toda a minha vida de ferreiro não fiz nada comparável a ele e muito menos outro sino que faça soar tão linda melodia. E faz uns dez Natais que seu som prenuncia alegria em todos os lares de Montebello. Seu badalar é límpido e encanta. É de uma têmpera especial, e seu som me faz lembrar de Gina – não com saudades, quero explicar. É que Gina e seu amante estão fundidos nesse sino...

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos.


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