quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tadeu Di Pietro

Ator.
 
Seu inicio como ator foi em 1990, quando atuou na minissérie ''Boca do Lixo'', na TV Globo. Como foi esse trabalho?
Iniciei profissionalmente na carreira de ator em 1980, com o espetáculo de teatro ''Tango'' e em cinema, no filme '' Ato de violência''. Nos dez anos seguintes, atuei basicamente em teatro. Meu início na TV foi em 1990. Para mim foi algo inusitado, já que estava mais habituado ao teatro, onde tudo é maior no gesto, na projeção vocal, na expressão corporal. Foi um exercício de adaptação e aprendizado do veículo e da linguagem, onde tudo é mais rápido na construção das personagens, mais sutil, sem exageros.
 
Em 91, fez: “Floradas na Serra”, na TV Cultura. Quais as lembranças desse período?
Lembro com saudade que a ''TV Cultura'' produzia muito e com bastante qualidade. Participar dessas produções foi importante para mim, por conviver com o trabalho de uma TV pública, com princípios e ações que prezavam pelo conteúdo. Na mesma época participei do projeto IPÊ, um seriado da mesma emissora que tinha como tema a literatura brasileira.
 
Logo depois você foi para a Rede Globo e em 93, participou da minissérie “Agosto”. Como e qual circunstância apareceu o convite para ingressar na emissora?
O diretor Paulo Ubiratan, me convidou para fazer um teste após assistir uma peça que eu encenava na época em São Paulo. Felizmente correu tudo bem, em pouco tempo comecei a gravar essa minissérie do Globo que foi um sucesso.
 
Mesmo que velado, o sonho de todo artista é fazer parte da equipe da Rede Globo, por uma série de razões (visibilidade, salário, possibilidade de vínculo extenso, etc.) e para você, como é?
Mesmo fazendo trabalhos no teatro e em outras mídias, não temos como comparar a projeção que a TV globo oferece. É claro que depois de trabalhar na emissora, passei a ser mais conhecido e reconhecido pelo meu trabalho, isso é bom! Até hoje pessoas me param na rua perguntando sobre trabalhos antigos.
 
Você participou de um episódio do seriado “Você Decide”, como foi seu trabalho de composição para este trabalho? O programa possibilitava muita liberdade para o ator?
O programa trabalhava com roteiro fixo, porém com dois finais gravados, ou seja, o trabalho de composição de personagem não foi diferente das séries ou novelas.
 
Entre 1995 e 1997 você conseguiu uma sequência emendando um trabalho no outro: ‘Malhação’ (95), ‘O Rei do Gado’ (96), ‘Por Amor e Ódio’ e ‘Anjo Mau’ (97). Como foi esse período?
Foram anos muito bons, além destes trabalhos fiz “Irmãos Coragem”, “Mulher” e “ Sai de Baixo”. A ponte aérea foi meu endereço fixo do período... (risos). Cansativo mas muito produtivo.
 
A novela “Éramos Seis”, foi um relativo sucesso. Como foi trabalhar nessa novela e como foi trabalhar com outro padrão de fazer televisão, no SBT?
Naquele período o SBT estava investindo em teledramaturgia e as produções eram bem cuidadas e tinham um retorno consolidado junto ao público.
 
Outra emissora que você trabalhou foi Rede Record onde fez ‘Metamorphoses’. Como foi o trabalho na emissora?
Além de “Metamorphoses” fiz “Por Amor e Ódio”. O processo de criação dos personagens era muito livre, tanto que em “Metamorphoses” podíamos criar e improvisar durante as gravações.
 
‘JK’ é uma minissérie e ‘Divã’ um seriado. Nos dois títulos você trabalhou. A pergunta é: como se prepara para atuar em diferentes plataformas que exigem tempo maior ou menor de participação?
A plataforma é a mesma: teledramaturgia. Para o ator a preparação vem não apenas do roteiro e do texto, mas também da direção que aponta as nuances do personagem.
 
Ainda lhe falta um papel maior na televisão?
Acho que para nós atores o maior papel sempre está por vir.
 
O que ainda espera na sua carreira?
Continuar criando e buscando novas formas de pensar, emocionar e dizer.
 
Apesar de todos esses trabalhos mencionados na televisão, podemos considerá-lo um ator de teatro? É ali que está a sua essência?
O teatro é a base de formação para o ator. A pesquisa para interpretação é construída por meio de estudo, investigação, prática, intuição, prontidão e contato com o público. Tais fatores preparam o profissional para outros desafios, seja TV ou cinema.
 
A caixa preta do teatro de certo modo não é intimidatória para o grande público? Ela não é muito canônica?
Apesar de gostar muito do teatro de rua, acho que a caixa preta do teatro é mágica e ancestral. Existe um sagrado no teatro que instala as pessoas a uma viagem. Esse espaço tanto poder estar circunscrito ao tradicional como nas ruas ou em outros espaços. O que importa é o sonho.
 
Por que você fez pouco cinema?
Gostaria de ter feito mais, os 11 trabalhos que participei me deixaram a vontade de novos desafios.
 
Quais as chances de um novo cineasta lhe “fisgar” e contar com a sua participação no filme dele? O que ele precisa para te conquistar?
Chances? Todas! Basta ter um bom roteiro e a vontade de me ligar!
 
O curta-metragem é o maior campo de liberdade para um ator?
O curta geralmente oferece a possibilidade de um roteiro mais livre e uma interpretação menos convencional. No cinema, a liberdade maior é sempre do diretor.
 
Para finalizar, gostaria que falasse como é viver com a incerteza. Vocês atores, quando não tem um contrato de longo prazo com uma emissora, precisam se desdobrar para viver, como fazem?
Pode parecer estranho, mas a incerteza faz parte da arte como dizia Da Vinci. Como autor, diretor e consultor também obtenho prazer, realização e retorno. Todas as atividades me completam.

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