sexta-feira, 17 de julho de 2015

Carol Hubner


Atriz. No cinema, atua no longa-metragem “Ensaio Sobre a Cegueira” dirigido por Fernando Meirelles, e em seis curtas-metragens entre eles “Flash”, produzido pela O2 Filmes e premiado como melhor filme no festival de Pernambuco em 2011.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
A primeira coisa que analiso é o roteiro, mas se o projeto já estiver em andamento pretendo conhecer a direção, o fotógrafo e a equipe em geral se já escalada. Em um bate papo tento perceber os objetivos de todos, e averiguar se existe relação com os meus. Objetivos em comum e gostos parecidos, fazem qualquer tipo de relacionamento dar certo!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
O cinema sempre me encantou, a tela grande, a invasão de um outro ponto de vista no espectador ou a veracidade de uma ficção, ou seja, a transformação de que a arte é capaz é o que me fascina. Sempre quis ser atriz, a minha parte produtora existe para que os objetivos da artista sejam alcançados. Desde as minhas primeiras lembranças como produtora, e no momento não as consigo separá-las entre filmes e teatro, sinto - me satisfeita pois sem ter vivido estas experiências não teria realizado os projetos que decidi ou colaborei para que saíssem do papel.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que o que move a mídia é o dinheiro, a publicidade e a divulgação de produtos de origem privada, partindo da ideia de que a arte é pobre não podemos comprar espaços nos meios de comunicação. O que às vezes acontece é de um curta premiado ou bem criticado em bons festivais encontra um espaço nos jornais, sites ou blogs do segmento, pois na sociedade atual precisamos de um exemplo a ser seguido, e uma esperança que faça o mundo girar. Ou seja a arte ainda é muito controlada pelo dinheiro.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
O que os produtores podem fazer são sessões fechadas em teatro ou espaços alternativos. Do mesmo jeito que os produtores teatrais sem patrocínio ou apoio do governo fazem. Acreditam no boca a boca. Assistir à um curta-metragem em seu site após o pagamento de uma taxa pode ser uma boa solução. O produtor precisa conhecer todas as ferramentas do mercado para ter sucesso.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
O grande campo de liberdade de experimentação é a produção independente, seja ela em qualquer arte. Quando conseguimos exprimir a nossa ideia sem interferências ou prestação de contas e que atingimos a liberdade.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Um bom curta é uma fração de um bom longa, ou seja se conseguimos acertar no curta desde o roteiro até a pós produção significa que temos experiência e todas as chances de acertarmos em um longa.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Sou atriz, e o que tenho feito há sete anos é investir em meus projetos, embora tenha trinta e dois anos, ainda estou engatinhando, mas acredito que produzir, produzir, produzir é um dos caminhos, e é o que eu escolhi.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Gosto de atuar. Se fosse dirigir um filme seria baseado no universo dos personagens, ou seja precisaria compreender , construir todas as personagens do roteiro, acho que preciso de mais experiência para isso, mas direção de ator é algo que tenho me interessado muito, e essa é a função que estou escalada para o segundo semestre para o curta "Um sonho de verdade" de Bruno Zuppone.


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