domingo, 5 de julho de 2015

Erika Riba


Atriz, cantora, bailarina e produtora. Em cinema, atua em "Terça Feira", curta de Piatã Muller; "1,99 - Um Supermercado que Vende Palavras, longa de Marcelo Masagão; "Abril de 79", curta de Débora Breder; e "Oi, Laura! Oi, Luís!", curta de Márcio Melges.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Tenho especial prazer em atuar no cinema, que é uma linguagem bastante diferente do teatro, onde trabalho mais.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
O primeiro curta em que atuei foi "Oi, Laura! Oi, Luís", do Márcio Melges, em 96. Eu tinha acabado de me formar em Artes Cênicas na Unicamp. A equipe era maravilhosa, todos querendo fazer um bom trabalho. Me lembro de ter achado engraçado como eles me tratavam como se eu fosse uma estrela, ninguém me deixava carregar uma sacola! Só depois eu fui entender a hierarquia do cinema, mas confesso que acho uma certa graça até hoje. Foi uma experiência ótima e só aumentou minha vontade de fazer cada vez mais. De lá pra cá fiz alguns outros filmes, geralmente com jovens cineastas e equipes sempre incríveis.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Realmente são muito poucos os que conseguem uma projeção mais expressiva, infelizmente. Acho que o pouco espaço se deve ao fato dos curtas-metragens ainda ficarem, de certa forma, à margem dos grandes circuitos, muito restritos aos festivais.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Gosto da ideia de projetarem curtas antes da exibição de longas-metragens nos cinemas. Isso faz com que sejam assistidos por um número enorme de espectadores, indo muito além do alcance dos festivais, a que acabam ficando restritos.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim. É um espaço para experimentar, criar, buscar novas linguagens.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
O curta metragem hoje é uma linguagem em si, com ótimos diretores e festivais dedicados exclusivamente a eles. Mas pode, sim, ser um celeiro, um tubo de ensaio. É uma oportunidade para diretores, produtores, atores e técnicos exercitarem suas funções numa estrutura mais tranquila. Isso não diminui a responsabilidade e também não significa que seja um formato só para iniciantes. Mas certamente todo diretor de curta metragem sonha em fazer seu longa-metragem um dia.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não acredito em receita pra nada. Acredito no trabalho e na perseverança. O país volta a ter um espaço crescente para o cinema nacional, o negócio é arregaçar as mangas e fazer. Trabalhei bastante com o Domingos Oliveira, que faz longas com baixíssimo orçamento e tem um manifesto que ele chama de BOAA (Baixo Orçamento e Alto Astral). E o baixo orçamento não é desculpa pra uma baixa qualidade, é possível fazer coisas belíssimas e inteligentes. Hoje em dia, com a tecnologia digital, tudo ficou mais acessível em termos de produção, especialmente para os curtas. É juntar uma galera, ter uma boa ideia e vamos embora! Sei que não é simples assim, mas realmente acho que o negócio é meter a mão na massa. Sou atriz, produzo meus projetos de teatro, já produzi cinema, enfim, não fico esperando o telefone tocar. Dá trabalho, exige dedicação e força de vontade, mas é no que eu acredito mesmo.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca me imaginei atrás da câmera. Gosto demais dessa brincadeira de compor personagem, estudar o roteiro, preparar uma cena. Acho que sou exibicionista! (risos)... Mas não posso dizer que dessa água não beberei, quem sabe um dia brota um desejo oculto de dirigir? Mas por enquanto realmente prefiro estar na frente das câmeras, é o que eu sei fazer. 

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