sábado, 11 de julho de 2015

Betse de Paula


Cineasta. Seu primeiro curta foi "S.O.S. Brunet" (1986) e o segundo, "Por dúvida das vias" (1988), recebeu o prêmio de melhor curta segundo o júri popular do Festival de Gramado. Em 1999, realizou dois curtas, "Leo-1313", e "The book is on the table". 

Qual a importância histórica do curta-metragem na filmografia nacional?
Quando acabaram os “Cine Jornais”, coube ao curta-metragem ocupar a cota de tela de programação brasileira nas sessões de cinema. Aí vivemos um período incrível do curta-metragem de afirmação e conquista de mercado, de crescimento de cineastas que faziam filmes para serem exibidos nos cinemas, dialogar e conquistar o publico. infelizmente depois do Collor a lei caiu em desuso e o curta metragem passou a ser o cartão de visita para o longa e o local de experimentação de linguagem. Naquele momento os filmes eram caros, se filmava obrigatoriamente em película. Hoje mudou tudo. Dei uma oficina durante o Festival de Rondônia em que fizemos o roteiro em um dia, filmamos no dia seguinte em miniDV, montamos no terceiro dia e no quarto dia, e no quinto dia exibimos no encerramento do festival. E a exibição para minha surpresa foi boa! Foi uma experiência que mudou inteiramente meus conceitos.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Na verdade eu não aceito, proponho. Concorria nos editais e quando ganhava fazia os curtas. Já fiz seis. E depois como professora de práticas cinematográficas incentivava os alunos a fazer curtas (um cada) e cheguei a ter uma turma que fazíamos um curta em cada aula.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
É igual a trabalhar em longa: seriedade e dedicação.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Agora está fácil fazer curtas. O difícil é espaço para exibir. Meus alunos colocavam tudo direto no YouTube!

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Tem montes de festivais específicos de curta no Brasil e no exterior. Ostras janelas também podem ser ocupadas como televisão, internet. Antes dos filmes era sensacional, mas infelizmente não é consenso. Tenho até a polêmica opinião de que é menos necessário fomentar a produção que a exibição. Acho que os editais deveriam ser de aquisição de curtas para exibição.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Pode ser, Mas eu continuo experimentando no longa-metragem. Agora mesmo filmei com cinco câmeras diferentes no “Vendo ou Alugo”.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acho que o curta-metragem é uma história pequena e por isso se presta mais ao exercício. Trampolim para uns, cartão de visita para outros, mercado.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Ainda não encontrei. Talvez esteja na TV. Acho que para o audiovisual brasileiro vencer tem que ocupar mais esse espaço. As salas de cinema são dominadas pelo produto estrangeiro.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Depois de dois longas-metragens, dirigi um curta de animação. Acontece. Mas não sonho com isso não. Quando dava aulas, tinha que me segurar para não dirigir os curtas dos alunos. E me orgulho de vários que eles fizeram com ou sem a minha ajuda em algum momento. De qualquer forma, Acho que meus longas e programas de TV são melhores que os curtas, e não acho justo estar entrando em editais e disputando esse espaço tão caro para quem está começando.

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