sábado, 13 de junho de 2015

Carlos Gerbase


Cineasta.  Foi integrante por vinte e quatro anos da Casa de Cinema de Porto Alegre. Dirigiu os curtas-metragens “Aulas muito particulares”; “Deus ex-machina”; “Interlúdio”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O curta é um formato muito interessante, que se assemelha a um conto na literatura. Eu comecei a escrever ainda adolescente, e contos foram minhas primeiras tentativas de dizer alguma coisa sobre o mundo. Talvez por isso ainda considere o curta-metragem uma alternativa de produção interessante, mesmo que, nos últimos anos, tenha me dedicado mais aos longas-metragens.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já trabalhei sem orçamento algum (nos tempos do super-8), com orçamentos muito baixos (como nos meus primeiros 35mm, a exemplo de "Interlúdio" e “Aulas muito particulares”) e com orçamentos razoáveis (como em "Deus Ex-Machina", feito quase todo em estúdio). Nos três casos, acho que a integração com a equipe é o mais importante. Se as pessoas estão entusiasmadas, o resultado pode ser bom.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque, a exemplo do conto, narrativas de curta duração não tem grande valor de mercado, e o mercado define a atenção da mídia. É interessante lembrar que o cinema “comercial” nasceu, em 1895, como curta documentário, mas virou prioritariamente longa de ficção em pouco mais de 20 anos. Talvez seja algo ligado à estrutura de divulgação das salas de cinema. É mais fácil explicar e fazer propaganda de uma história longa, com dois personagens e uma trama, do que de uma série de histórias curtas, com dezenas de personagens e tramas.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Não sei. Desconfio que no Brasil o problema não é diferente do resto do mundo. O curta funciona bem em festivais, mas é impossível torná-lo um bom produto nas salas. Em compensação, um curta bacana sempre tem uma carreira interessante na internet (Youtube e Vimeo).

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Pode ser. Depende do que esse profissional pretende com seu curta: provar que é competente como narrador, ou mostrar que é um artista inovador, ou simplesmente contar uma história e encantar as pessoas? Experimentar não é uma qualidade, é um modo de encarar a narrativa. Um filme “tradicional” pode ser muito mais interessante que um “experimental”, dependendo da habilidade de contar a história. Mas é claro que experimentar num curta é muito mais comum do que num longa, porque há menos dinheiro envolvido.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não. Isso é uma bobagem imensa. O curta é um formato independente e que deve ser valorizado por suas características próprias.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não sei. Eu tento há uns 30 anos, com diferentes receitas, e, comercialmente falando, só empato. Mas as pequenas e discretas vitórias pessoais são sempre deliciosas.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
No curto prazo, não. Quero fazer uma série de TV e continuar com meus longas. Mas, como fiz um “teaser” para a série de TV, com uns 9 minutos, de certo modo acabo de fazer um curta. 

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