segunda-feira, 8 de junho de 2015

Maura Hayas


Atriz. Foi dirigida por Antonio Abujamra em dois espetáculos - "Tchekhov e a Humanidade" e "Os Possessos".

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Bom, eu sou atriz e todas as possibilidades de exercitar o meu ofício me interessam. Também amo cinema e o curta me dá a chance de atuar nessa linguagem. 

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Atuo em curtas desde 2005, mas não participei de muitas produções, umas sete nesse período. O que me chama a atenção em um curta-metragem, acho que é a mesma coisa que faz com que eu tenha vontade de fazer parte da produção: o olhar que o cineasta dá para um tema. Um exemplo é o trabalho mais recente que fiz, o curta Branca, de Lucila Maia e Sandra Sant´ana, que é inspirado em Branca de Neve, mas traz os personagens para outra realidade, fora dos contos de fada. E ao mesmo tempo em que o curta explora a vida real, a crueza da vida real, brinca com elementos dos quadrinhos, com o lúdico. A minha personagem é a tia da Branca, Margot - versão moderna e meio rock´n roll erótico da bruxa má. Foi uma delícia fazer, circular por esse universo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que é uma questão comercial, né? Não vende, então não é interessante para o distribuidor. Mas não vende porque não se faz marketing em cima do curta e não se faz marketing em cima do curta porque isso custa dinheiro e normalmente os curtas são produções pequenas e não tem dinheiro para divulgação. Enfim, é aquela cadeia de fatores que, infelizmente nesse caso, impedem a coisa de acontecer. São poucos os espaços de exibição de curtas, é pouco o fomento para esse tipo de produção. Uma pena, porque tem muita coisa boa no mercado.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Bom, primeiro, você chega ao cinema e vê propaganda, trailer, avisos. Por que não ver um curta também? Eu acho que toda sessão deveria ter a exibição de um curta antes. Hoje, os curtas ficam restritos a festivais e mostras especiais, aí fica uma coisa restrita e até elitista. Por que não fazer mostras de curtas na periferia, nos CEUs, Sesc´s, Sesi´s, Centros Culturais, enfim em todos os espaços culturais? E nas escolas, gente. Dá pra imaginar que isso ajuda na formação de público para o próprio cinema, não dá? Comece mostrando curtas para os alunos, para os jovens e eles vão começar a querer ver mais coisas no cinema. Cultura é assim, quanto mais você tem, mais você quer. Tem de popularizar o curta, fazer com que o público tenha vontade de ver. E, olha, não é difícil, estamos falando de um "produto" fácil de vender: é audiovisual, de curta duração.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acho que sim. Pelo menos no meu caso, como atriz, posso dizer que tenho tido grande liberdade nos trabalhos que tenho feito com curtas. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
A gente gostaria que fosse, né? Tenho certeza que todo mundo que faz um curta faz pensando em fazer um longa-metragem, em aprender para poder usar em um longa, enfim. Mas a realidade é outra e não é assim que as coisas funcionam, infelizmente. Eu tenho 15 anos de carreira e fiz pouquíssimos testes para longas. É um mercado muito fechado, quase uma confraria.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Persistência e resiliência. Mas isso não só no audiovisual, no mundo das artes em geral.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não, pelo menos não agora. Sou essencialmente atriz.

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