segunda-feira, 8 de junho de 2015

Otto Jr.


Ator. No cinema, fez os curtas "WM de Lygia Fagundes Telles", de Juan Gonzales e Bernardo Ururahy; "Natasha", com roteiro e direção de Andreson Carvalho; "Sushiman", animação de Ivan Jaf, com direção de Pedro Iuá; e o longa "Tropa de Elite", direção de José Padilha.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O roteiro ou a ideia, a direção. Quando não conheço o diretor pesa muito a maneira como ele me faz o convite e como apresenta o projeto.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
A maior parte dos curtas-metragens que fiz foram universitários. Alguns independentes e felizmente mais recentemente fiz curtas vencedores de editais onde tive cachê pelo meu trabalho. O mais frustrante são os curtas que nunca foram finalizados e ainda os que foram, mas nunca foram exibidos e nem ao menos recebi uma cópia para que pudesse ver. Por outro lado, existe um prazer e orgulho imenso por outros bem realizados e que rodaram por festivais pelo Brasil e em outros países.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não têm tanto, é verdade, mas volta e meia vejo ou leio notícia de algum curta. Quando é bom, não tem jeito, aparece. Nem que seja pelo fato do curta ter sido convidado, exibido ou laureado em um grande festival de cinema. Os festivais têm contribuído muito para uma maior participação e menção dos curtas na mídia. Nos últimos anos aumentaram as faculdades e escolas de cinema pelo Brasil e a procura por estes cursos está cada vez maior. Então naturalmente a produção de curtas aumentou muito fortalecendo os festivais já existentes e gerando novos. Um festival como o de Tiradentes por exemplo, que exibe longas e curtas, mexe e muito com a economia da cidade que vê sua população aumentar durante os dias do festival. O festival, os filmes e a cidade viram notícia por todo Brasil neste momento. É o poder do cinema. Acho que mesmo que lentamente, a tendência desse quadro de pouco espaço dos curtas em críticas de jornais e atenção da mídia, é melhorar.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Os festivais vêm fazendo bem esse papel, mas acho que um canal a cabo no pacote básico das operadoras, exclusivamente para a exibição de curtas, teria uma boa audiência. Também gostaria de ver a exibição de um ou dois curtas-metragens antes de um longa nos cinemas.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim. Se por um lado a falta de um aporte financeiro maior e em grande parte das vezes inexistente dificulta a realização, por outro esse fato por si só gera uma liberdade imensa. Cabe ao realizador usufruí-la, ou não.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Não necessariamente. Pode ser desde que o realizador assim o queira. Muitas vezes o realizador de um curta-metragem não tem essa pretensão.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Felizmente não há uma receita. Se houvesse seria muito chato! O que existe e tem que existir é trabalho, muito trabalho, persistência e vontade a serviço de uma inspiração original, particular, verdadeira!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não. Minha praia é atuar!

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