quarta-feira, 15 de abril de 2015

Claudiane Carvalho


Atriz. Formada pelo Centro de Pesquisa Teatral (CPT), coordenado por Antunes Filho. Integrou o elenco da série ‘Jogo Duplo’. Na televisão, atuou nas telenovelas ‘Carrossel’ e ‘Chiquititas’, ambas do SBT.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Para o ator é sempre bom experimentar outras linguagens, outras circunstâncias, outros personagens. Mas o que me pega mesmo é um bom roteiro, uma história que me emocione, me surpreenda e que me faça refletir. Se não for assim, prefiro não fazer.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Foram experiências muito ricas, costumo trabalhar com os estudantes de cinema, e já pude constatar que tem muita gente boa, talentosa vindo aí. Só sinto necessidade de ser mais bem preparada. Acho que ainda faltam no Brasil diretores de atores, ou preparadores de atores que sejam competentes. A presença desse profissional em um set de filmagem e, mesmo antes de entrar no set, auxiliando o ator, faz toda a diferença. 

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
O curta precisa ser mais divulgado, as pessoas, em geral, menosprezam o curta, o acham menor, não o valorizam. Já vi curtas belíssimos, mas já vi também muitas “bombas”. E isso acaba passando uma ideia de que o curta pode ser feito de qualquer jeito, no amadorismo. E é o que muitas vezes acontece. Há muitas produções ruins, sem pé nem cabeça, descuidadas...

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Deveriam ser exibidos nos cinemas antes dos longas e também na TV em canais abertos.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Claro, a maioria dos profissionais do cinema iniciam sua carreira fazendo curtas. Mas acredito que essa liberdade para experimentação deva ser mantida em todas as linguagens artísticas, pois o que alimenta qualquer artista é a criação e a experimentação constantes.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Eu, sinceramente, acho que fazer um curta é mais difícil do que um longa. Pois o curta necessita de uma síntese absurda, nada pode ser gratuito, qualquer elemento como luz,  objeto, som, fala, personagem... deve ser narrativo e muito, muito significativo. É como na literatura, você tem o conto e o romance, que no cinema equivalem ao curta e ao longa, respectivamente. O conto narra uma história breve, o tempo e o espaço têm de estar condensados, e para isso o escritor deve mensurar muito bem as palavras para seduzir, encantar o leitor. Sobre isso, gosto muito do que diz o escritor argentino Júlio Cortázar: “O romance ganha sempre por pontos, enquanto que o conto por “knock-out”.  E no cinema o processo é exatamente o mesmo, acredito que o que importa mesmo é contar uma boa história, seja ela em 15 ou em 90 minutos.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Acredito que não há uma receita, uma fórmula. O bom resultado, o sucesso em tudo o  que se faz é simplesmente a consequência de muito trabalho, dedicação, disciplina, persistência  e vontade.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Ainda não tenho esta pretensão. Gosto mais de ser dirigida. Escrever um roteiro já é algo que me seduz. Quem sabe um dia?!

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