quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ester Góes


Atriz. Atuou nos longas ‘A Hora Marcada’; ‘A Grande Noitada’; ‘A Próxima Vítima’; ‘Uma Mulher para Sábado’; entre outros.

Na verdade, o único curta de que participei foi "Ressurreição", de Marcelo Taranto, com quem filmei também o longa "A Hora Marcada". Não tenho, portanto, experiência suficiente para responder todas as perguntas que me enviou.

Posso dizer que "Ressurreição", um curta premiado, (Margarida de Prata), foi realizado quase sem recursos, num ato de força e indignação pelo que acontecia com a Cultura do país no governo Collor.

O curta-metragem sempre dá margem a que a criatividade e a liberdade autoral se imponham ao poder econômico. É portanto o lugar onde se desenvolvem novas ideias, e novos profissionais da arte cinematográfica. Quanto a espaço na Mídia,, o atual momento não é aquele em que os valores de conteúdo e criatividade recebem a devida consideração, pelo contrário, nas artes em geral estamos assistindo a um campeonato de competição capitalista, que vai formando o perfil do público e da produção nacional de arte a seu gosto...digamos, "financeiro".

Gosto de fazer Cinema porque é uma arte que pode ir fundo na emoção e na condição humana. Gosto de investigar o paradoxo da nossa importância e desimportância no Universo. Adorei filmar ‘Stelinha’, ‘Pagu’, ‘Ressurreição’, ‘A Causa Secreta’, ‘A Hora Marcada’ e ‘Mandrake’, recentemente. Espero ter novos encontros com nosso cinema.

O Cinema é para mim o lugar da interpretação, não o da direção. No Teatro já consigo ocupar os dois lugares, o da intérprete e o da diretora, e também o da produtora, sempre que necessário. Conheço melhor as questões de produção e de sobrevivência da arte cênica, que luta por condições democráticas de realização, e para isso fundamos o Fórum de Cultura e Educação, através do qual vamos continuar discutindo as inversões de valores na política para as artes no Brasil. Todas as artes precisam por suas ideias na mesa e discuti-las frente a frente, precisamos de pontos de unidade para delinear a política que queremos.

Voltando ao curta, acho que não tem mais ou menos valor que o longa-metragem, cada gênero é especial como linguagem, e vale pelo que faz de si. 

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