quarta-feira, 22 de abril de 2015

Suyene Correia Santos


Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal de Sergipe (2002) e Pós-graduação 'Lato Sensu' em Jornalismo Cultural (2005) pela Universidade Tiradentes. É autora do blog ‘Bangalô Cult’.

Qual é a importância histórica do curta-metragem na filmografia brasileira?
Num país como o Brasil, onde não existe uma indústria cinematográfica forte, o début para muitos cineastas é o curta-metragem. Na década de 1980, houve um boom na produção de filmes neste formato e vários festivais começaram a ter mostras competitivas de curtas em sua programação. Praticamente, os filmes de curta-metragem têm os festivais como suas principais (ou únicas) janelas já que a Lei do Curta não é colocada em prática. A importância do curta-metragem na filmografia brasileira dá-se, principalmente, como um exercício do fazer cinema para vários diretores que, depois despontaram em longas. O grande exemplo atual é o Kléber Mendonça Filho.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que o principal problema seja a falta de espaço na mídia para a cultura em geral. Um grande jornal como O Estado de São Paulo, anunciou mudanças radicais, suprimindo suplementos, a exemplo do Sabático (dedicado a Literatura). Se lembrarmos que no advento da chegada do videocassete ao Brasil, tínhamos vários veículos dedicados ao cinema e, hoje, praticamente, só temos duas ou três publicações de circulação restrita, então temos o problema do espaço, da prioridade de pauta para os longas e da questão de se falar de um produto que dificilmente será visto pela massa.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que a Lei do Curta precisaria, de fato, funcionar e projetos como o Curta Petrobras às Seis voltar à ativa.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Não só um curta, mas o longa também, desde que o trabalho seja essencialmente independente. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não necessariamente. Mas pode ser um bom cartão de visitas para o realizador, atores, equipe técnica. De qualquer forma, dirigir um longa demanda uma logística bem mais complexa do que um curta.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Perseverança e um bom patrocinador (de preferência).

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Estou com um projeto engavetado que tentarei colocar em prática.

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