quarta-feira, 29 de abril de 2015

Eduardo Morotó


Cineasta. É dele os curtas ‘Quando Morremos à Noite’; ‘Mar Exílio’; ‘Todos Esses Dias em Que Sou Estrangeiro’; entre outros.

Qual a importância histórica do curta-metragem na filmografia nacional?
A importância do curta, tanto quanto a do longa-metragem, é a do cinema em si, uma marca do tempo, revelador de diversos aspectos da sociedade... 
No decorrer da década de 50 no Brasil, foi com a produção de curtas que o Cinema Novo surgiu, cruzando problemas da sociedade brasileira e da linguagem cinematográfica que até hoje são refletidos.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Geralmente os curtas são realizados com muita crença, paixão, liberdade e companheirismo. Isso é encantador.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Escrevi e dirigi cinco curtas. O primeiro trabalho foi em 2006, através do projeto Revelando os Brasis, do Ministério da Cultura, voltado para realização de vídeos em municípios de até 20 mil habitantes. Logo após ingressei na faculdade de cinema onde realizei como conclusão de curso o curta “Mar Exílio”, que rendeu o Prêmio Revelação do Festival de Curtas de São Paulo, em 2010.
Com os recursos deste prêmio, filmei o “Quando Morremos à Noite”, melhor filme da Mostra de Cinema de Tiradentes em 2012. “Eu Nunca Deveria Ter Voltado” também produzido em 2011, teve seu roteiro contemplado na Oficina do Projeto Sal Grosso (iniciativa do Festival Brasileiro de Cinema Universitário que seleciona projetos de estudantes de cinema) foi premiado no Festival de Brasília deste ano com os troféus de melhor diretor, melhor ator e melhor trilha Sonora.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que os curtas possuem pouco espaço por não fazerem parte de um circuito comercial. Geralmente as mídias se interessam em falar do que vai entrar em cartaz, daquilo que vai vender ingresso.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Deveria existir algum modelo de distribuição para os curtas. Isso foi uma realidade no final dos anos 80 com a lei do curta, projeto criado em meados da década de 70, que regulamentava a exibição em salas comerciais de cinema de um curta antes do longa-metragem. Hoje, com a nova lei da tevê por assinatura, que exige mais conteúdo brasileiro, aumentou bastante a procura de curtas-metragens para licenciamento. Mas a tevê paga ainda é muito restrita. Os curtas deveriam ter espaço também na tevê aberta, como os longas.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Por não ter nenhum compromisso comercial e por sua produção ter um custo menor, os realizadores e suas equipes se sentem mais livres sim com a linguagem. Os curtas possuem uma identidade muito autoral. Vão muito além das fórmulas.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não necessariamente. O longa-metragem acaba sendo um caminho natural quando o realizador se depara com uma estória que ele quer contar, mas essa estória não cabe no tempo de duração do curta.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Eu tenho muito chão ainda pela frente. Mas o chão que já tenho é resultado da decisão de fazer uma faculdade de cinema. Lá aprendi muito e encontrei parceiros.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Estou com um curta novo, se chama “Todos esses dias em que sou estrangeiro”. É sobre um garoto nordestino que vem para o Rio trabalhar em um restaurante de beira de estrada onde o irmão mais velho já trabalha e não se acostuma com esse novo mundo.

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