sábado, 16 de maio de 2015

Caio Tozzi


É jornalista e roteirista. Formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Roteiro Audiovisual na PUC-SP. Trabalhou com jornalismo e publicidade, concebeu e organizou projetos de livros e revistas e é responsável pela produtora audiovisual Vila Filmes”. Atua como roteirista de filmes institucionais e documentários. É autor do livro de contos e crônicas “Postal e outras histórias” (2009) e diretor e roteirista do documentário “Ele era um menino feliz – O Menino Maluquinho, 30 anos depois” (2011). 

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Sabemos que o curta-metragem é o primeiro passo para se ter a experiência de trabalhar com cinema, para contar história através do audiovisual. Acho válido, então, apostar neste formato para que se possa fazer experimentos, testes. O curta-metragem te dá esta liberdade – até porque, na maioria das vezes, se realiza de maneira independente, sem patrocinadores ou investimentos. Mas o curta metragem também é interessante para se contar pequenas histórias, fortes, diretas e que se concluem rapidamente. Fazendo uma comparação com a literatura, o curta-metragem é a possibilidade de fazer um conto na linguagem audiovisual. Eu, que além de produtor e roteirista, também sou contista (tenho dois livros lançados de contos e crônicas) gosto da ideia de adaptá-los para o cinema. Estão entre os projetos.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Sou responsável pela Vila Filmes, em São Paulo, e trabalhamos com produções diversas para o mercado institucional e publicitário. Nestes 5 anos de mercado, apostamos na produção de alguns documentários, que não chegaram a ser longas-metragens. Fizemos em 2008 um documentário de 52 minutos sobre os 50 anos do Zoológico de São Paulo; no ano seguinte, um de 23 minutos, sobre o trabalho de um artista plástico chamado Thiago Costackz e em 2011 lançamos o curta-metragem que gerou mais repercussão, que foi o “Ele era um menino feliz”, que conta a história dos 30 anos do Menino Maluquinho, do cartunista Ziraldo. Este filme tem oficialmente 30 minutos e as versões de 25 e 20 minutos para correr em alguns festivais. Nos três fui roteirista e no último também dirigi. Atualmente tenho alguns roteiros para serem produzidos e estão na nossa pauta, para começarmos a trabalhar com pequenas obras de ficção.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Os curtas-metragens não tem um mercado comercial ativo. Este é o grande problema que não conquistar o espaço na mídia. Mas tive uma experiência que comprova que é possível conquistar espaço na mídia com curtas, não posso reclamar sobre isso. Acho que a história que você está contando pode ajudar muito na divulgação ou não do filme. Nós fizemos o documentário sobre o Ziraldo em 2011, que rodou mais de vinte festivais entre 2011 e 2012. Mesmo ainda não lançado, começamos a trabalhar na divulgação, e o retorno foi positivo demais: fomos destaques em grandes sites, matérias em televisão, revistas, etc. Lógico: o trabalho foi na raça, sem apoio, nem nada. Mas acho que, dependendo de como você faz esta divulgação, alguma coisa você tem como retorno.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Atualmente temos um circuito de mostras e festivais muito grandes – e que funcionam. Mas hoje temos a possibilidade de divulgar na internet e que é uma boa. Isso faz o filme "viralizar" e você consegue visibilidade, consegue ser conhecido, atingir mais pessoas. inclusive existem portais que se tornam “bancos” de curtas-metragens. Além disso, já existem alguns canais da TV acabo (inclusive um exclusivo) que estão procurando e exibindo este tipo de produto.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida. Até porque, como já disse anteriormente, a maioria dos curtas-metragens são feitos de maneira independente, o que permite você ser extremamente autoral. Aí as possibilidades de criação e experimentação aumentam.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acho que sim. O longa é mais complicado, emperra na questão de comercialização e divulgação, mas hoje temos vários possibilidades alternativas ( como a internet, por exemplo). Mas a experiência de produção de curtas-metragens permite que você entenda o funcionamento da realização de um longa-metragem. É preciso ter essa bagagem.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Vou responder com um clichê e tanto, mas acho que é não desistir. O mercado está aquecido com as leis de incentivo e de exibição, isso abre muitas portas para as produtoras e para os profissionais de diversas ordens.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, projetos é que não faltam! Mas como sou roteirista, também foco bastante na procura das histórias para serem contadas.

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