sábado, 16 de maio de 2015

Melanie Dimantas


Roteirista. Formou-se em ciências sociais na Universidade de São Paulo, em 1980 e licenciatura em História e Geografia. Fez o roteiro do filme Não quero falar sobre isto agora” (1991), em parceria com o cineasta Mauro Farias e o ator Evandro Mesquita, dirigido por Mauro. O filme foi premiado no Festival de Gramado de 1991 em quatro categorias, inclusive a de melhor roteiro. Em 1993, com Carla Camurati, escreveu “Carlota Joaquina” (1995), melhor roteiro no Festival de Damasco, Síria. É coautora de três roteiros selecionados para o Laboratório de Roteiros do Sundance no Brasil. 

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Esse convite não é frequente para mim. Em toda a minha carreira como roteirista, que já leva mais de trinta anos, só escrevi um curta-metragem. Mas participo de projetos de outra forma. Como sou professora da PUC Rio, meus alunos devem escrever um curta para finalizar o curso... dessa maneira me envolvo no processo quase como consultora. E isso é muito gratificante.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Como disse acima, minha experiência em roteirizar filmes começou com longa-metragem e assim se manteve através dos anos. Uma única vez participei de um projeto de curta-metragem... Foi no filme "Vicente", de Marcos Guttmann. Escrevi duas versões e, francamente, me surpreendi com o resultado. Nada do que havia pensado estava ali e descobri que o curta tem um ritmo próprio, muito atrelado ao que o diretor sonha executar.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque é um gênero cujo formato não é comercial, restringindo-se a mostras específicas. Houve um momento em que os curtas brasileiros ganharam protagonismo em festivais aqui e fora também. Jorge Furtado, Luís Fernando Carvalho, Cecílio Neto, entre outros, surgiram dessa quase militância heroica que representou um grande avanço em termos de linguagem que o longa-metragem logo incorporou. Hoje, em tempos de Youtube e Vimeo há infinitas possibilidades de experimentação.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Pela internet, sem dúvida. Uma plataforma que casa perfeitamente com a experimentação.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim. O curta-metragem é mais livre para experimentar novas linguagens, narrativas e dramaturgia.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Para estudantes de cinema é fundamental para um primeiro contato com tudo que envolve uma produção. Mas em termos dramatúrgicos não. Um roteirista de longa-metragem nem sempre consegue atingir a concisão de um curta e um roteirista de curta-metragem nem sempre consegue escrever um longa. São linguagens diferentes... com regras e técnicas específicas.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não há receita, mas se houver algum alento para a dura batalha, diria que é a originalidade das histórias e na concepção do projeto.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca, não quero dirigir nem curtas nem longas, sou roteirista e isso já me dá bastante trabalho e prazer. Aliás, à minha maneira dirijo meus filmes...

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