sábado, 16 de maio de 2015

Liliana Sulzbach


Cineasta. Seu primeiro longa-metragem foi o documentário O cárcere e a rua” (2004). O filme, realizado ao longo de três anos, mostra o cotidiano de três detentas na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre. Foi premiado no 32º Festival de Gramado como melhor documentário. “A Cidade”; “A Invenção da Infância”; “O Caso do Linguiceiro”; “Batalha Naval”; entre outros, são curtas-metragens de sua autoria.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Trabalho como produtora, diretora e roteirista. Trabalho muito com documentários e isso faz com que às vezes um assunto pede um curta, um longa ou mesmo uma série. No meu caso a temática define o formato.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Trabalhei em muitos curtas, seja na produção, direção, roteiro ou montagem. Iniciei trabalhando como montadora, o que me deu uma ótima noção do todo. Depois parti para direção e produção. Sempre procurei acompanhar todas as etapas, desde a captação de recursos, desenvolvimento do projeto, produção e finalização, independente da função que exercia no trabalho.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
É natural que os curtas não tenham o mesmo espaço que os longas, visto a enorme quantidade de filmes de curta metragem que são produzidos a cada ano. Principalmente depois do advento do digital. Mesmo assim, alguns curtas que se destacam em festivais e mostras, também acabam tendo uma certa repercussão na mídia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Seria ótimo que os cinemas exibissem curtas antes de longas. Em Porto Alegre existe uma iniciativa deste gênero chamada "Curtas nas Telas". É ótimo, pois coloca os curtas em circuito de exibição comercial, dá visibilidade aos filmes e inclusive remunera as produções.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Claro. Quando o filme não é uma encomenda, sempre é possível inovar em formatos, linguagens, conteúdo. Inclusive na forma de produzir e financiar a sua execução.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Depende da intenção do realizador. Pode ser um exercício para narrativas mais longas, mas pode ser uma forma de expressão em si. Com as novas plataformas digitais, o curta novamente ganha destaque e é possível pensar no formato sendo exibido na web, em computadores, em smartphones.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Trabalho, trabalho e trabalho.

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