sábado, 16 de maio de 2015

Cláudio Barroso


Cineasta. Barroso co-dirigiu o primeiro curta, “Afundaçãodobrasil”, em 1980. É um dos fundadores de uma das primeiras televisões alternativas do Brasil, a TV Viva, criada em 1984, que produzia e exibia programas em bairros populares do Recife. Dirigiu e coordenou a TV VIVA por oito anos, recebendo inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Em 2005, lançou o documentário “O Mundo É Uma Cabeça”, filme que já recebeu dez prêmios em festivais nacionais, entre eles o de melhor curta documental do Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro 2005. “História de um Valente”, seu novo trabalho que está em fase de finalização, é o seu primeiro longa metragem de ficção, filmado em super 16 e 35mm. A película é baseada na vida do Deputado Federal Constituinte Gregório Bezerra.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O curta é uma linguagem mais dinâmica e com um roteiro enxuto, ou seja, o desafio é contar uma história com inicio, meio e fim dentro de 15 a 20 minutos o que te obriga a ser sucinto sem perder o fio da meada. Esse desafio me atrai e me instiga. Adoro fazer curtas.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Sou da geração que lutou pela obrigatoriedade do curta-metragem antes do longa nos cinemas, infelizmente esta lei acabou sacaneada pelos exibidores que, contrários a lei, forçaram a exibição dos piores. Outras vezes, realizavam verdadeiros monstros para as telas o que levou a plateia a se posicionar contra a exibição dos curtas. Minhas experiências foram as melhores e todos que dirigi tiveram bons resultados e longa vida em festivais e conquistaram muitos prêmios. O curta é a entrada para o cinema, onde tudo começa. O custo é menor e a equipe idem, facilitando a realização.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Creio eu, que a falta de espaço é pura preguiça. É achar que o curta é um produto menor, sem importância, apesar de que hoje se tem vários programas nas televisões voltados para esse formato. O curta-metragem que encanta o público acaba por ter espaço, mas são poucos.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Hoje para se atingir um público maior em qualquer formato, tem que se passar pela internet, Youtube por exemplo, mas, deveríamos ter mais festivais e cineclubes voltados para a exibição de curtas. Todavia, temos um bom exemplo que é o Porta Curtas que facilita a chegada dos filmes para o público maior.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza, por ser de menor custo e muitas das vezes, com poucos recursos, isso te obriga a ser mais criativo e a recorrer a novas experiências que, bem resolvidas, acabam por engrandecer o trabalho e abrir novos horizontes.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não, o curta pode ser o inicio do caminho para a formação de um cineasta, mas tem sua própria linguagem e formato.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não sei o que você chama de vencer no audiovisual, mas seja qual for, a receita em cinema é trabalhar muito, buscando a cada filme realizado, ser melhor e ir se cercando de uma equipe cada vez mais profissional. Cinema é equipe e esse time tem que funcionar como uma engrenagem toda azeitada.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sempre se tem um curta na cabeça e sempre é muito agradável se realizar um curta-metragem.

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