terça-feira, 10 de março de 2015

Amanda Banffy


Atriz e Diretora Teatral. Bacharel em Artes Cênicas pela ECA-USP (2002-06), e formada pelo CPT de Antunes Filho, além de ter feito oficina com Ariane Mnouchkine (Théâtre du Soleil). Atuou como protagonista em dois longas-metragens, um deles é "Fluidos" (2009) direção Alexandre Carvalho, e fez participação no longa "Dois coelhos" (2012) direção Afonso Poyart e em "Memórias da Boca" com direção de Tony Ciambra.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Um bom roteiro, uma boa ideia ou um bom personagem. Além da possibilidade de exercitar com mais frequência a atuação diante das câmeras.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Minha primeira atuação em curta-metragem foi em 2004, quando eu ainda era estudante de Artes Cênicas da ECA-USP e aceitei participar de uma produção dos alunos de Audiovisual. Lembro que no começo eu não me sentia a vontade com a câmera. Eu vinha de experiências no teatro, e me sentia segura no palco. Depois participei tanto de curtas universitários como profissionais, foram uns dez curtas no total e também atuei em quatro longas. Hoje em dia me sinto muito tranquila, percebi que quanto mais experiência os atores adquirem, mais natural conseguem ficar diante de uma câmera. Com o tempo vamos descobrindo “truques”, aprendemos a estar em parte vivendo o personagem e em outra parte ter consciência sobre como se posicionar para que a melhor imagem seja captada.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Talvez por falta de hábito de assistirmos curtas. Estamos todos acostumados a ir ao cinema ou alugar um DVD no formato de longa-metragem. Existe um mercado bastante lucrativo de longas, o que movimenta a mídia e as críticas. E também falta um pouco mais de divulgação.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
O ideal mesmo seria ter mais espaço na TV aberta, programas que se dedicassem a selecionar, exibir e comentar bons curtas. O Zoom da TV da Cultura, que pelo visto não existe mais, exibia alguns curtas. Outra alternativa para uma grande divulgação são as redes sociais, seria interessante criarem uma página que selecionasse bons curtas e postasse com frequência, estimulando as pessoas a assistirem e compartilharem.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida. Para fazer um curta você gasta menos dinheiro e menos tempo, então pode se atrever a correr riscos. Eu acho fundamental a experimentação de novas linguagens em todas as artes, inclusive no cinema. Para mim, as formulas comerciais já se desgastaram faz tempo, cansou. Quero assistir filmes que me despertem novas formas de ver o mundo, que me façam pensar em coisas fora da obviedade.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acho que é uma boa forma de aprender a fazer cinema e ganhar experiência. Mas, mesmo eu já tendo atuado em quatro longas (entre eles “Dois Coelhos” de Afonso Poyart e “Fluidos”de Alexandre Carvalho) não deixo de participar dos filmes de curta duração. Alguns roteiros caem bem num formato curto, ficariam forçados e ruins se tentássemos esticá-los. Recentemente gravei dois curtas “Hyppólita” e “Alguém para conversar contigo quando anoitecer”, ambos com roteiro e direção de Ruy Jobim Neto, são histórias que se encaixam perfeitamente naquele curto tempo, e são muito bem contadas. No segundo, o formato será fora do convencional. Nem o roteiro, nem a direção deixa claro quem são aquelas pessoas e qual a relação entre elas, isso é que é interessante, deixar lacunas que façam o espectador pensar e participar criando seu próprio entendimento.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
O que é vencer? Infelizmente existe uma distância entre bons filmes e filmes que dão grande bilheteria, nas artes em geral é assim. Num país onde a educação é precária, muitas vezes filmes geniais não são compreendidos pelo grande público. O que leva as pessoas ao cinema são os nomes famosos que estão no elenco, o que não é necessariamente sinônimo de qualidade. Precisamos continuar realizando filmes de arte e lutando para eles tenham espaços de exibição.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já pensei em dirigir cinema sim. Além de atriz, sou formada em Direção Teatral. São duas coisas que me instigam: a experimentação de linguagem e a direção de atores. Quando atuo, tanto em curtas como em longas, percebo que poucos cineastas tiveram uma formação adequada no que diz respeito a direção de atores. Sinto falta de uma direção de interpretação mais consciente e minuciosa. Outra coisa que sinto falta é da ousadia de desconstruir a fórmula comercial de se fazer cinema, nem todos tem essa motivação. Por isso já senti vontade de eu mesma dirigir alguns curtas e colocar tudo isso em prática. Nesse momento os projetos como atriz estão tomando todo meu tempo e energia, mas quem sabe no futuro eu venha a dirigir alguns curtas. A vontade existe.

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