quinta-feira, 19 de março de 2015

WJ Solha


Ator. ‘Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito’; ‘O Som ao Redor’; ‘Era Uma Vez Eu, Verônica’; entre outros filmes, constam em sua importante filmografia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Houve, décadas atrás, a obrigatoriedade de exibição de um curta-metragem antes de todo e qualquer longa, mas os exibidores, irritados, selecionaram – é o que me consta – os shorts piores possíveis, para que o público exigisse o fim da medida. Vi, de fato, a multidão vaiando alguns desses trabalhos ruins, no cinema, impaciente para ver o filme principal. Como a ideia, em si, me parece boa, fica a sugestão de que a seleção dos “complementos” da programação seja feita por quem é do ramo.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Neste momento vivo a euforia ante ‘O Som ao Redor’, do Kleber Mendonça Filho, de que participei, como ator. Porque o filme é poderoso, inovador. Mas basta ver a filmografia anterior do cineasta pernambucano, para ver que foi nos curtas que ele “se formou”, “tornou-se o que é”. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Se você fizer pergunta semelhante pra um contista, “Conto é trampolim pra romance?”, ele certamente será grosseiro. James Joyce sabia que conto é conto – ou não teria feito “Dublinenses” – romance é romance, ou não teria produzido “Ulisses”. Machado contista é um, Machado romancista é outro. São gêneros absolutos em si. Como Michelangelo escultor, Michelangelo pintor, Michelangelo poeta, Michelangelo arquiteto. Não vejo como, por exemplo, querer que o curta “A Canga”, do Marcus Vilar, de que fui roteirista e ator, tornar-se “melhor” na adaptação de minha novela com o mesmo nome. Um selo pode ser uma obra-prima, tanto quanto um outdoor.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Seriedade. Trabalho. Uma coisa foi minha participação em filmes em que o diretor perguntava se o texto estava decorado e fazia um ensaio com luz e câmera, outra,  as em que tive laboratório e ensaios de grande intensidade.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca me imaginei como diretor.

Nenhum comentário: