terça-feira, 10 de março de 2015

Luciana Paes


Atriz. Atuou nas telenovelas ‘Além do Horizonte’ e ‘Fina Estampa’.  Atuou na curta-metragem ‘A Mão que Afaga’, de 2012, onde ganhou o prêmio Candango de melhor atriz.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Os motivos mudam de um filme para o outro: a historia, a personagem, os atores com quem vou contracenar, a equipe, o diretor...

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Sou formada pela EAD (Escola de Arte Dramática) e desde então venho fazendo curtas. Fiz curtas com gente de todas as escolas de cinema eu acho (risos). No inicio tudo o que eu queria era a experiência e acho que ainda estou atrás de experiência, porque no final das contas, cada projeto é único. Não é porque eu fiz um curta aqui, que estarei pronta para fazer o próximo, (com outra temática, outro diretor, outra equipe). É tudo diferente. O que sei é que o tempo passa, e os diretores desses filmes também vão seguindo suas vidas profissionais, e se a parceria foi boa e produtiva, outros projetos surgem. Cada vez mais sinto que os projetos para os quais sou convidada, estão cada vez mais próximos de como eu vejo o mundo. Como é o caso de "A Mão Que Afaga" de Gabriel Almeida Amaral.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Eu nunca entendi porque os curtas não tem espaço de mídia ou veiculação. Acho que é um formato que ainda não foi muito descoberto. A maioria das pessoas não tem costume de assistir curtas. Eu adoro, porque quando o curta é ruim, acaba logo e quando é bom você não acredita que acabou. E quase mágico uma historia ser contada em tão pouco tempo.  Acho um desperdício as pessoas não assistirem. Um festival de curtas, por exemplo, é muito dinâmico, a mudança das temáticas dos universos, e muito rico. Não sei se as pessoas associam curtas a um experimentalismo exagerado.... eu não consigo entender.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Bom, acho que os festivais são sempre um bom caminho. Mas que a melhor forma seria fazer com que os curtas pudessem sair do gueto de curtas. Serem inseridos na programação dos cinemas de maneira mais estável. Não digo no lugar dos trailers que isso custa, mas outras formas sei lá, um curta bônus ao fim de uma sessão de cinema normal. Aqui no Brasil fazemos pouco o "cinema na praça" essa coisa de passar cinema ao ar livre. Acho que funciona.

Talvez fazer uma formação de público desse formato, fazer uma curadoria de curtas para jovens. Acho que esse é um formato que funciona muito bem com esse público.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim. Acho que esse formato cria a necessidade de um poder de síntese incrível. Para o diretor e também para o ator. Muitas ideias que nasceram em curtas, se transformaram em series e longas. Não que o curta seja "menor" mas é uma prova de fogo. Como atriz acho o trabalho de criação o mesmo, é só como se menos cenas fossem mostradas. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Como atriz, você diz? Não sei. Acho que tudo depende da historia e dos personagens que serão necessários para contá-la. Mas acho que não funciona assim: "Bom ja fiz 3 curtas, agora vem o longa" 

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não sei isso gente! Se souber me passa.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Olha, estou tentando escrever um roteiro de uma serie para TV. Por enquanto só isso, produzir um curta é de uma articulação com tantas outras áreas, que eu ainda não me sinto capaz.

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