domingo, 15 de fevereiro de 2015

Charles Fricks


Ator. No cinema já são 7 longas. Entre eles Sem Controle”, Chico Xavier - o filme” e Tropa de Elite 2”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Meus critérios pra aceitar fazer um trabalho são muito subjetivos. Não sigo um padrão. Vai desde trabalhar com pessoas que gosto, confio e admiro a um bom personagem (independente do tamanho dele na tela), uma boa história e até mesmo conseguir encaixar o tempo de preparação e filmagens à minha agenda. Certa vez um dos fortes motivos para aceitar um trabalho foi a oportunidade de fazer o pai de uma criança.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Fiz poucos curtas na minha carreira. Acho que uns 5 até hoje. Não me lembro de nenhum com experiência ruim. Independente do resultado sempre me senti muito a vontade neles. Muitas vezes até mais a vontade do que num set de uma grande produção. No curta a equipe é menor, temos mais chance de arriscar. Todos têm mais chance de arriscar. Isso dá uma certa liberdade.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Uma coisa leva a outra. Os curtas não têm espaço na imprensa talvez porque não são vistos pelo grande público. Não são vistos pelo grande público porque não têm espaço de exibição. Não têm espaço de exibição porque não formamos uma plateia interessada em assistir aos curtas. Atento para o fato que estou me referindo ao “grande público”. Nós artistas, produtores, estudantes de cinema e artes em geral, formadores de opinião, etc... somos o público dos curtas. O curta-metragem acaba se restringindo aos festivais, exibições esporádicas e alguns pouquíssimos programas de TV. Mas com a nova lei do audiovisual isso pode mudar.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Estou muito otimista com a nova Lei do audiovisual. Há duas semanas, zapeando na TV a cabo, passei por dois canais estrangeiros. Em pleno horário nobre cada um exibia um filme nacional. A cota para produções nacionais está trazendo uma demanda por material produzido no país fomentando a nossa indústria. Quem sabe daqui a algum tempo quando for normal assistir filmes brasileiros (seja longa ou curta) na TV a cabo e aberta em horário nobre, formaremos uma nova massa de espectadores para o cinema nacional?!

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem dúvida. Não acredito que o curta-curtametragista, em sua maioria, esteja preocupado em somente agradar ao mercado (quase não há mercado). Isso faz com que ele tenha mais liberdade em contar a sua história da maneira como deseja e necessita contar. Mais ousadia, mais tentativa-e-erro-e-acerto, mais alma e menos mercado. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não sei. Sei que se aprende muito fazendo curtas. Em todas as áreas da produção. Mas as pessoas que conheço, e que sempre fizeram curtas, almejam sim estar em um longa-metragem. Acho um desejo natural.

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