sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Rodrigo Fidelis


Ator e produtor, graduado em Artes Cênicas pela UFMG.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Há uma força que é impossível de conter: a necessidade de atuar. Nestes 15 anos atuando, sua maioria no Teatro, o cinema é um percurso ainda misterioso para mim. Das poucas produções que participei, fui convidado diretamente pelos diretores, depois de me assistirem no teatro. Talvez neste momento, o que me faz aceitar participar das produções é um "namoro" com a direção, é a fome com a qual os diretores descrevem seus filmes.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Para situar quem for ler esta entrevista, é preciso dizer que nestes 15 anos atuando, meu principal veículo é o Teatro. Foi na arte teatral que desenvolvi minhas principais criações.

Fiz três curtas dentro do universo acadêmico que circularam por festivais, neles trabalhei com jovens artistas, dispostos e entregues ao risco, porém há algo que ainda me soa estrangeiro no universo do cinema, a linha de produção que enquadra atores em elenco, distanciando-me assim do que mais o Teatro me proporciona, a totalidade da minha criação, me envolvendo em todas instâncias criativas, como luz, cenário, texto, figurino, etc.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não sei, mas sendo um pouco leviano e indo pro achismo das coisas, pois me falta estudo pra responder esta pergunta, acredito que, por não se tratar de uma vedete das artes visuais e da indústria cinematográfica, os curtas, são como primos pobres, perdidos nas urgências dos veículos de comunicação.

Também, acredito, que há uma nova forma surgindo, como é o caso do seu blog. Alternativas do front.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acredito que a TV aberta seja um dos caminhos.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acho que cada profissional tem seu modo de criar, algumas parcerias proporcionam uma criação mais aberta, outras já chegam idealizadas por uma "direção".

Divido aqui uma frase de Liv Ullmann (um das esposas de Bergman)

"Não existe mais aquele investimento no instante pleno que a câmera flagrava, na busca por um take perfeito, em que a a gente dava o melhor de si."


O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Para o ator acredito que não, mas para a direção talvez seja.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não sei, minha preocupação ainda se resumi na realização. Não tenho estudo para esta pergunta.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não penso, mas é excitante a ideia. Atualmente me concentro em 2 longas com produção independente.

"Indefinido", com direção de Cleber Amorim, que começou como um curta e agora tomou proporções de um longa, e "Amor Líquido" com direção de Vítor Steinberg.


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