domingo, 1 de fevereiro de 2015

Joca Andreazza


Ator, diretor e aderecista. Em sua carreira de ator destacam-se as montagens de “Closer”, de Patrick Marber, “A Bilha Quebrada”, de H. von Kleist, “Os Lusíadas” poema épico de Luis de Camões, e "Anatomia Frozen".

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Eu gosto de conhecer primeiramente o roteiro, conversar com o diretor e discutir a linha de trabalho com ele, conhecer o cronograma de gravações e ver o "story bordy". Se tiver verba de produção para o trabalho peço sempre ajuda de custo ou cachê se estiver previsto, normalmente tem e nem preciso pedir.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Gravei alguns com diretores diferentes, propostas diferentes e todos os diretores sempre muito criativos e dedicados ao trabalho, me senti sempre confortável nas gravações. Pra mim é também uma forma de experimentar a linguagem. Diria que é uma via de mão dupla, uma simbiose, adoro e sempre que possível fecho com todos os trabalhos nos quais sou convidado.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
É uma pergunta que sempre me faço, acho que faltam pessoas especializadas e/ou capacitadas para exercerem a crítica dos curtas-metragens, embora já tenha visto algumas quando da exibição em festivais e mostras de curtas. Não passavam de comparações muitas vezes maldosas com outros trabalhos anteriores dentro da linguagem dos curtas. Acredito que a crítica pode ir além disso, uma vez que tantos profissionais estão envolvidos na realização do trabalho e cada um dentro de uma competência artística (roteiro, fotografia, iluminação, figurino, interpretação, enfim).

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Vi há alguns anos curtas sendo exibidos antes da exibição dos longas-metragens achei uma iniciativa muito legal e que popularizou um pouco mais. Creio que o diretor ao produzir o curta-metragem imagine que seu trabalho será exibido numa tela de cinema e não no Youtube!. Anos atrás quando universitário adorava ver a mostra do "Clio" onde publicidades premiadas do mundo todo eram exibidas em sessão única numa sala de cinema ou similar. As mostras cumprem de certa forma esse papel, embora a seleção deixe de fora trabalhos muito bons.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
É um campo, não sei se o grande campo, uma vez que este título pertence aos longas-metragens, que tem um meio muito fechado, onde o sucesso de bilheteria parece mais importante que o próprio filme, assim deixa de ser arte e vira comércio. Diria então, que é um lugar onde pessoas menos conhecidas da mídia transitam em busca de "experimentação", ou como no meu caso em particular, por adorar o "gênero". É uma forma de conhecer a linguagem muitas vezes sintética e reflexiva dos curtas, que não difere da estrutura dos longas. Todos os profissionais estão ali dando tudo de si na distribuição da tarefa de fazer um filme, para se comunicar. A forma de expressão artística é o que importa, a capacidade de comunicar e se comunicar. O que convenhamos não é uma tarefa fácil. Ninguém para escutar uma estória. A narrativa deu lugar ao informe jornalístico, assim como o romance à crônica, porém quem "julga" a linguagem é quem se identifica com ela. Nesse sentido "liberdade" e "experimentação" podem ou não acontecer.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não sei... nunca fui convidado para um longa por ter feito curtas, creio que não. Pode ser que um ou outro diretor passe a filmar longas e te chame porque confia no teu trabalho como intérprete, mas isso pode também ser apenas uma necessidade, uma adequação, enfim.  

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não tenho. Acho que perseverança, otimismo, dedicação, organização, planejamento sempre ajudam.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não pensei muito no assunto, mas já que pergunta, eu tenho vontade e sim!

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